A importância do professor Kiko Loureiro na vida de seu aluno Roberto Barros
Por Gustavo Maiato
Postado em 19 de fevereiro de 2022
Kiko Loureiro e Roberto Barros apresentam muitas coisas em comum. Os dois já gravaram com Edu Falaschi, são famosos pela "fritação" na guitarra e são referência no instrumento no Brasil. Mas o que pouca gente sabe é que Kiko foi professor de Roberto no início dos anos 2000 e ensinou muito para seu aluno.
Em entrevista ao Ibagenscast, Roberto Barros deu sua opinião sobre Kiko Loureiro e disse que o guitarrista é um "gênio". Durante o bate papo, Roberto explicou um pouco sobre como eram suas aulas com o atual guitarrista do Megadeth.
"O Kiko é um gênio. Um guitarrista incrível. Eu estudei com o Kiko na época do ‘Temple of Shadows’. Lembro que em uma aula ele me mostrou um trecho da ‘Spread Your Fire’! Ele tinha chegado da Alemanha, quando gravou o álbum. Foram muitos meses com ele. Só tocamos guitarra na primeira aula! Nas outras, ele ficava ao piano. Eu ouvia o que ele dizia. Eram aulas diferentes. Lembro com muito carinho. Era tipo... Hoje vamos falar sobre o ‘Bolero de Ravel’. Era umas coisas de outro nível. Na primeira aula que ele me viu tocando, eu já era técnico. Não tinha a linguagem que tenho hoje, mas já era um punheteiro. Ele me viu tocando e disse que nem precisávamos falar sobre técnica, e sim de improvisação e composição. Em outra aula, improvisamos em cima da harmonia de ‘Tico-Tico no Fubá’. Ele quis me testar. Eu tinha acabado de me formar no IGT. Ele ligou o metrônomo e improvisou soando todos os acordes. Eu fazia junto e ele ia orientando", explicou.
Em outro ponto, Roberto Barros comentou sobre como a figura de Kiko Loureiro foi importante para seu desenvolvimento como músico. Segundo ele, a possibilidade de observar um guitarrista de metal famoso e bem sucedido foi importante para sua formação musical.
"Foi um período muito incrível, porque pude ver um cara que na época era um grande ídolo para mim. Um cara mais velho. Hoje, admiro muito o Kiko. Ele me abriu muitas portas para certos conceitos. Esse lance da virtuosidade, por exemplo. Nos anos 2000, o Kiko Loureiro também sofreu com isso. As pessoas o acusavam de ser fritador. Mas ele toca também coisas brasileiras e tudo. Se você ler a história de Paganini, é a mesma coisa. Os virtuosos acabam sofrendo com essas coisas. É uma forma de atacar. A inveja está presente em todas as vertentes. Ele me mostrou como ampliar minha visão musical. Não ser só um fritador. Lembro de uma aula que me fez pensar muito. Ele estava tocando Tom Jobim no piano. Acho que era na música ‘Wave’. Lembro que isso me impressionou muito. O cara era metaleiro, mas tinha toda essa linguagem e conhecimento. Ele teve um papel muito importante não só como um influenciador de guitarra, mas por tudo que ele representava. Ser bem sucedido, famoso, entender de várias coisas. Aquilo foi uma grande influência", concluiu.
Confira a entrevista completa abaixo:
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