Nick Mason, baterista do Pink Floyd, revela e comenta suas músicas preferidas
Por André Garcia
Postado em 29 de março de 2022
Em 1966, surgiu na Inglaterra o Pink Floyd, liderado pelo enigmático guitarrista e vocalista Syd Barrett. A banda não demorou para chamar a atenção da cena londrina pela ousada proposta de combinar música, luz, experimentação, teatralidade, improvisação, moda e psicodelia num mesmo pacote em suas apresentações.
Ao longo de toda a década de 70, o grupo se consolidou (e manteve) como um dos maiores de todos os tempos: "Dark Side of the Moon" (1972) passou mais de 10 anos nas paradas de sucesso e "The Wall" (1980) até hoje é o álbum duplo mais vendido de todos os tempos. Nos palcos, a banda se tornou conhecida também por super produções sem precedentes, anos antes do U2 sequer pensar em fazer o mesmo.
Com a saída de Roger Waters, nos anos 80 atravessou um período turbulento onde parecia que se tornaria coisa do passado. Mas foi questão de tempo para que o Pink Floyd se reinventasse e se restabelecesse no topo em meados dos anos 90, com o tremendo sucesso de "The Division Bell" (1994) e "Pulse" (1995).

Em 2020, o baterista, membro fundador e colecionador de Ferraris Nick Mason participou do quadro "Tracks of My Years" (músicas dos meus tempos, em livre tradução) na BBC Radio 2. Em clima descontraído, ele listou e comentou suas músicas preferidas, equilibrando clássicos do rock e coisas mais obscuras.
"All Along The Watchtower" - The Jimi Hendrix Experience
Eu escolhi essa, na verdade, para matar dois coelhos com uma cajadada. Primeiro de tudo, sou um grande fã de Jimi Hendrix. Eu o vi na primeira vez que ele veio para a Inglaterra, foi uma noite extraordinária onde ele deu uma canja no show do Cream. Aquilo por si só foi um momento extraordinário para mim, porque foi quando eu decidi focar totalmente no rock, como Ginger Baker, em vez de ser um arquiteto, que era o caminho que eu estava seguindo.
E, além disso, pelo fato da música ser de Bob Dylan, de quem também sou um grande fã. Ele influenciou tanta gente em tantas bandas… E o impacto dele foi eletrificante. Quando eventualmente nos profissionalizamos, nós saímos numa daquelas turnês conjuntas com Jimi, Amen Corner e Nice. Eu fiquei bem próximo de Mitch Mitchell. Pra mim foi incrível ter alguém daquele nível demonstrar interesse no que eu estava fazendo.
"I'll See You In My Dreams (Live)" - Joe Brown
Eu era um grande fã de Joe Brown desde antes dele ficar famoso. Além disso, sua esposa, Vicki, cantou no "Dark Side of The Moon" [a turnê], e a filha dele cantou com a gente numa turnê acho que em 87. Há uma forte conexão pessoal, mas, além disso, Joe cantou essa música no ukulele no tributo a George Harrison. Todos os grandes guitarristas estavam lá, todos os astros do rock inglês, mas o show dele no encerramento foi de longe o momento mais comovente da noite. Foi maravilhoso.
"Big Yellow Taxi" - Joni Mitchel
Eu amo as músicas dela, a composição dela… e tudo está meio que concentrado nessa música. Ótima letra, e a música é muito boa. E a abrangência do trabalho que ela fez ao longo dos anos, às vezes mais jazz, às vezes mais folk… Eu adoro essa coisa de um artista conseguir desenvolver tantos estilos diferentes.
"Woodstock" - Crosby, Stills, Nash & Young
"Woodstock" foi uma música escrita por Joni Mitchel, o que está relacionado à escolha anterior. Além disso, quando Crosby, Stills & Nash vieram pela primeira vez para a Inglaterra, eu fui assistir a um dos primeiros shows deles, e voltei na noite seguinte para assistir de novo. Não são muitas as bandas que causam esse efeito, mas eu amei as músicas, as harmonias… a coisa toda. Dava até um pouco de raiva, porque nós na Inglaterra produzíamos tantos grandes artistas, e de repente uma banda americana aparecia e causava tamanho impacto.
"Rosanna" - Toto
Eu sempre gostei dessas músicas do Toto, ainda mais por causa de Jeff Porcaro, que era um baterista de verdade. Eu percebi isso quando meu neto me contou que estava estudando ele na aula de bateria. Com isso, já estamos na terceira geração de fãs dele. Eu também curto a ideia de (eu acho que) Kerry Wallace, de que uma banda é feita de um baixista, um baterista e quem mais estiver junto [risos].
"I'm A Believer" - Robert Wyatt
Eu sou um grande fã do Robert, amo as músicas dele. Eu conheci ele no Soft Machine, nós começamos juntos no UFO Club. Eu trabalhei com ele algumas vezes e produzi um álbum, cujo single chegou ao Top of the Pops. Foi muito divertido trabalhar com ele.
"Lovely Rita" - Beatles
Eu incluí essa porque marcou um momento muito importante para a gente. Nós estávamos gravando nosso primeiro álbum, "The Piper at the Gates of Dawn", no Abbey Road, no Estúdio 3, e no fim do corredor os Beatles estavam gravando o "Sgt. Pepper's". Rolou um convite para ir lá assistir os deuses no Monte Olimpo. Sem os Beatles nós provavelmente não teríamos existido porque o "Sgt. Pepper's" absolutamente mudou a cara da indústria fonográfica. Até então tudo girava em torno de singles, aquele foi o primeiro álbum que superou os singles. O que permitiu a bandas como a nossa tivessem mais tempo de estúdio e autonomia.
"The Way It Is" - Bruce Hornsby & the Range
Eu conheci o trabalho de Bruce Hornsby a alguns anos atrás e descobri uma combinação perfeita, grandes escolhas de notas, e muito bem tocado. Eu diria que em todas as faixas de todos os álbuns ele fez algo digno de se ter numa playlist.
"My Generation" - The Who
The Who teve uma influência enorme sobre mim. Principalmente após conhecer Keith Moon e sobreviver pra contar história. Eu não o conhecia bem, mas passamos um tempo juntos, fizemos alguns shows abrindo para o The Who, algumas apresentações em rádio. Keith Moon no rádio era um tremendo evento por si só, era como um circo completo numa única pessoa.
"The Living Tears" - Mike + the Mechanics
Eu amo as músicas de Mike, e ele se tornou um bom amigo meu. Ao longo dos anos, assim como sua música, ele foi uma ótima companhia. Até mesmo nossas esposas se dão muito bem.
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