Ney Matogrosso conta, em detalhes, como deixou o Secos & Molhados no auge da fama
Por Bruce William
Postado em 25 de abril de 2022
Durante conversa com Clemente Magalhães, do Corredor 5, Ney Matogrosso contou, em detalhes, como deixou o Secos & Molhados bem no auge da meteórica fama da banda, em 1974.
Secos e Molhados - Mais Novidades
"Eu decidi sair da banda quando nós fomos pro México e nosso empresário não apareceu lá porque tinha mudado", conta Ney, explicando que o pai do João Ricardo havia assumido o posto, apesar de Ney ter sido contra. "Aí me disseram assim: 'mas você assinou pra ele sair!'. Eu disse 'Eu assinei pra ele sair?! Eu não quero que ele saia, como eu assinei pra ele sair??'". Ney então explica que ele realmente havia assinado alguns papéis para o escritório continuar funcionando, mas ele achava que o Moracy do Val, empresário da banda, continuaria no seu posto. "Quando chegou no aeroporto e o Moracy não aparecia, eu já comecei a ficar desconfiado. E quando chegamos no México eu vi que o João Ricardo fazia muito interurbano, e eu comecei a andar atrás dele pra ouvir o que ele estava falando".
Ney disse que logo em seguida teve uma conversa séria com o João, onde avisou que ele iria deixar o Secos & Molhados. "Mas ele não acreditava que eu fosse sair, ele não achava que eu, pobretão, ia ter coragem de sair de uma coisa que estava dando dinheiro. Mas eu não estava ali pelo dinheiro, estava ali pelo prazer da coisa, de realizar aquilo". Daí Clemente pergunta para Ney se ele não tinha de fato medo de abandonar tudo aquilo, e o cantor responde: "Não, com 31 anos eu não tinha medo de abandonar nada. E ele (João Ricardo) tentou me induzir 'Você vai fazer o quê, vai voltar pro Mato Grosso pra criar galinha?' e eu disse que sim".
João Ricardo não sabia, mas Ney estava com um trunfo na manga: "Eu já tinha um repertório pronto para fazer aquele primeiro disco", conta. "Eu saí do Secos & Molhados em março de 1974... em agosto de 1974, em março de 1975 estava estreando aquele show aqui no Teatro daquele hotel que tinha lá na Barra... Hotel Nacional. Então veja, eu já tinha tudo..." conta Ney, explicando que ele achava que cada um dos integrantes deveria fazer um trabalho solo para que as pessoas compreendessem como era cada um deles no aspecto musical.
O dinheiro, como sempre acontece, ajudou a causar a saída de Ney Matogrosso do Secos & Molhados
"Mas a coisa passou também pelo dinheiro", admite Ney, "porque eles eram os compositores, o João mais que o Gerson. E eles viram que eles ganharam uma fortuna... então vamos agora ao X da questão: antes de entrar qualquer dinheiro, nós tínhamos um pacto: todo dinheiro que entrasse seria dividido entre os três igualmente". Clemente então pergunta se era todo e qualquer dinheiro, autoral e de shows, e Ney concorda: "Sim, tudo. Quando eles viram o que eles ganhavam, o que estava combinado deixou de ser combinado. E no show eu ganhava igual, eu disse 'Não, se eu não ganhar desse aí, no show eu tenho que ganhar mais. Porque eu tinha consciência que o grande atrativo era aquele louco (se referindo a si mesmo no palco). Então eu tenho que ganhar mais. 'Ah não, mas nós combinamos assim assado etc', disseram pra mim. Tá bom então", concordou o cantor.
Mas Ney já tinha seus planos: "Então, quando fomos pro México, quando voltei eu já fui avisar a gravadora que não estava mais no grupo. Pediram então que eu não anunciasse minha saída antes de lançar o segundo disco. Eu disse 'Tudo bem, no dia que lançarmos o segundo disco eu anuncio a minha saída. Viemos pro Rio de Janeiro para gravar 'Flores Astrais' e 'Tercer Mundo' e eles estavam com medo que eu desse a notícia. Então eu fui com uma pessoa andando atrás de mim o tempo inteiro dentro da TV Globo. Aí eu peguei uma garrafa e disse 'Olha, o Filho da Puta que ficar andando atrás de mim me vigiando eu vou meter esta garrafa na cabeça'. Porque eles tinham medo que eu contasse antes do meu combinado, que era fazer o programa e depois eu estava liberado. Então quando acabei de gravar eu falei pra todos 'Olha, não estou mais no Secos e Molhados'", disse Ney, contando ainda que acabou não voltando para São Paulo, já tendo ficado na casa de um amigo no Rio de Janeiro, em seguida indo procurar um apartamento para alugar e se preparar para trabalhar no seu primeiro disco solo.
A conversa na íntegra de Ney Matogrosso com Clemente Magalhães do podcast Corredor 5 pode ser conferida no player a seguir.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O estilo musical que Geddy Lee considera uma aula sobre como tocar baixo
Sepultura fará show sem "Roots", "Arise" e "Ratamahatta" no Rock in Rio
O que João Gordo achou da Legião Urbana quando ouviu a banda pela primeira vez?
A música que Mark Knopfler gravou em uma guitarra barata e diz ter feito "tudo errado"
Classic Rock ranqueia discografia dos Rolling Stones do pior ao melhor álbum
A banda mais singular da história do rock, na opinião de Steve Vai
Scott Ian odiou a produção de "Hell Awaits", clássico do Slayer
Bruce Dickinson lista os vocalistas que fazem ele pensar "Jamais serei tão bom quanto eles!"
De Sepultura a Madonna, os melhores discos lançados em 1986, segundo Scott Ian
Os 5 melhores shows do Rock in Rio dos últimos 15 anos, segundo o G1
João Nogueira, do Mastodon crava veredicto sobre a discografia inteira do Sepultura
O álbum do Sepultura que influenciou o lendário Glenn Tipton do Judas Priest
O curioso álbum que une músico brasileiro com Geezer Butler e Josh Homme
A música mais difícil de tocar do Metallica segundo James Hetfield, Lars Ulrich e Kirk Hammett
A banda famosa que Kurt Cobain dizia ter uma música que "era uma porcaria"


Quem foi o misterioso "Índio" que criou o som do Secos e Molhados?
André Barcinski comenta teoria de que Kiss copiou os Secos & Molhados; "Não faz o menor sentido"
5 discos indispensáveis para entender o rock nacional
Pra discutir: os 100 melhores discos do rock brasileiro


