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The Offspring: Soco de faca, brinde milionário e outras histórias

Por Tales Avellar
Em 23/05/22

Se você gosta de punk e não conhece The Offspring, está perdendo tempo - e talvez seja agredido por fãs raivosos. Ainda na ativa e em plena tour pelos Estados Unidos, a banda teve seu pico de fama na virada dos anos 90 e 2000, e o autor de delineador que vos fala encontrou uma preciosa entrevista com Dexter e Noodles para viajar de volta a essa época. Data de 2001, bem no olho do furacão, feita por Alex Burrows à revista Metal Hammer e republicada no Louder Sound.

Tudo começa nos anos 80, no subúrbio de Los Angeles. Orange County: terra da Disneylândia, igrejas drive-thru e políticos conservadores. O vocalista Dexter Holland, o guitarrista Noodles [Miojo], ou Kevin Wasserman, e o baixista Greg Kriesel, da formação original, cresceram ali, influenciados por bandas como Ramones, The Clash e Dead Kennedys.

- Eles me mostraram que eu não precisava ser Jimi Hendrix ou Eddie Van Halen para tocar guitarra - diz Noodles. - Eu só comecei a me encontrar para tocar com amigos, levando guitarras para o parque e tomando umas cervejas.

- Acho que era mais a ideia que essas bandas representavam: qualquer um pode tocar - diz Dexter. - Era música com que os adolescentes comuns se identificavam, e música que o adolescente comum podia tocar. Jello Biafra dos Dead Kennedys uma vez disse que, depois de uma tour dos Ramones nos Estados Unidos em 1978, em quase toda cidade que eles tocavam, de repente surgiam cinco novas bandas.

Nos anos 1980, Dexter e Greg, colegas de escola, começaram a banda Manic Subsidals, após ver uma apresentação da banda punk local Social Distortion. Noodles tivera uma banda, Clowns of Death, da qual Dexter tinha feito parte brevemente, antes de sair para criar a própria banda; então Noodles também acabou se juntando à Manic (boatos não identificados dizem que, sendo três anos mais velho, ele foi escolhido mais pela capacidade de comprar álcool legalmente). Havia ainda o baterista James Lilja, que depois conheceu as festas universitárias e desistiu da banda. O grupo logo mudou de nome, porque Manic Subsidals "era simplesmente um nome horrível", tornando-se The Offspring. Gravaram de forma independente sua primeira música, "I'll Be Waiting", em 1986, e logo depois o baterista Ron Welty se juntou ao grupo.

Sobre a cena punk local da época, não havia muito para se ver.

- Estava meio que parada - diz Dexter. - Teve uma época muito empolgante, uns quatro anos antes de a gente começar. Havia muitas bandas incríveis como Social Distortion, TSOL e The Adolescents no começo dos anos 80, mas aquela cena toda morreu.

Por conta disso, a banda logo migrou para lugares um pouco mais distantes.

- A gente fazia shows no meio do deserto - diz Dexter. - Tinha um cara em Las Vegas que organizava shows, mas não conseguia achar um lugar. Então ele alugava geradores e espalhava panfletos, dirigia uns 80 km no deserto e colocava um palco para shows. Era incrível.

"Uma vez tocamos numa casa que ia ser demolida. O cara falou, 'venham fazer um show aqui, a gente pode fazer o que quiser com a casa!' Então tocamos e as pessoas destruíram a casa!

Então veio a primeira tour pelos Estados Unidos. A banda não tinha muito dinheiro, atravessando o país, de cabo a rabo e de volta, com os garotos, um roadie e todos os equipamentos na mesma traseira de uma picape caindo aos pedaços, e pedindo ao público dos shows que os deixasse dormir no chão de alguém.

O ritmo era acelerado, com até quatro shows em quatro cidades em um mesmo fim de semana. - Esse era o espírito: ir aonde desse na telha. Foi o que fez ser tão divertido: era uma aventura. Você nunca sabia aonde ia ou para quem ia tocar.

Às vezes, essa vida improvisada podia ser perigosa, como quando acabavam tocando em estabelecimentos punk sem licença. - As pessoas ficavam espremidas em lugares minúsculos sem saída de emergência e só uma porta pequena. Então a polícia aparecia para acabar com os shows, e ficava ainda mais perigoso com as pessoas entrando em pânico.

Mais alguma história maluca de tour?

- Uma vez, o Noodles foi esfaqueado num show no começo dos anos 90. Era um show com o Final Conflict. Uns skinheads apareceram pra estragar o show deles, e a gente tocava logo antes deles. Eles tentaram invadir e as pessoas da porta colocaram uma mesa como barricada, que eles estavam tentando ultrapassar. Noodles, sendo o pacifista que ele é, tentou entrar no meio e acalmar a situação. Um skinhead pulou por cima da mesa e deu um soco no braço dele. Noodles ficou tipo, "Meu Deus, isso doeu muito pra um soco!" Então ele olhou pra baixo e sua jaqueta estava coberta de sangue. Acabou que o cara tinha dado o soco com uma faca entre os dedos.

As coisas foram crescendo cada vez mais. Com o segundo álbum, "Ignition" (1992), veio a primeira tour pela Europa, e a percepção de que, lá, eles também eram aclamados. Mas as noites de sono ainda não eram das melhores.

- A gente dormia no ônibus do NOFX e detonou o lugar - Noodles ri com a lembrança.

- Só tinha camas para três de nós, então a gente tinha que se revezar dormindo no chão do corredor - diz Dexter. - Mas foi uma grande tour: 31 shows em 35 dias pela Europa. Fizemos cinco shows na Inglaterra que deram muito certo. Somos fãs do país porque sempre nos divertimos lá.

- Uma vez tocamos em Praga, na Tchecoslováquia. Foi num clube que descia quatro lances de escada para baixo da terra e abria numa caverna com lugar para 400 pessoas. A única saída era aquela escada minúscula. A gente tocou no fundo, do outro lado, e você sabe que se alguma coisa acontecer você nunca vai conseguir escapar.

Mas o sucesso realmente estrondoso ainda estava por vir. "Smash", o terceiro álbum, foi lançado no mesmo dia da trágica morte de Kurt Cobain: 8 de abril de 1994. Era uma explosão de energia, de que a juventude estava muito necessitada. O álbum também agradou na Inglaterra, saudosa de sua era punk, chegando rapidamente a vertiginosos 11 milhões de vendas.

- Foi em tour com o "Smash" em 1994 - conta Noodles sobre a primeira percepção da dimensão do sucesso. - Estávamos bebendo cerveja do lado de fora. Recebemos uma ligação da Epitaph e disseram que "Smash" tinha acabado de ganhar disco de platina [um milhão de vendas]. Foi um sentimento estranho. Era algo bom, mas é uma coisa que muda a sua vida para sempre.

- Foi empolgante, mas, ao mesmo tempo, assustador - diz Dexter. - Na verdade, é até bom não ser notado, de muitas formas. Quando as coisas aceleram, é ótimo (não me entenda mal, não estou reclamando), mas há um aumento da atenção ruim também. As coisas são vistas de forma muito mais crítica. Muita gente nas outras bandas te odeia porque não gosta da música ou sente inveja.

- Um amigo nosso trabalhava numa loja de discos - conta Noodles. - Os garotos entravam e compravam "Smash" ou "Dookie", aí uma semana depois Operation Ivy e Bad Religion, e na semana seguinte queriam Crass ou Conflict. Então nosso amigo dizia, "Eu lembro quando você veio aqui a primeira vez e comprou Offspring e Green Day", e eles diziam, "Ah, eles são péssimos!" Mas foram bandas como nós e o Green Day que inspiraram o interesse original deles no estilo.

Também foi a tour em que Noodles começou a beber "muito mais do que qualquer outra pessoa", especialmente após descobrir que sua namorada o estava traindo enquanto ele viajava. - Mas fizemos shows maravilhosos - ele completa.

- Você tem que desenvolver uma casca grossa - diz Dexter. - Se eu vejo que falaram de um álbum do Offspring numa revista, eu não vou nem ler. Mesmo se falar bem dele, eu não vou ler, porque a natureza da escrita crítica é que sempre vai ter alguma alfinetada.

"Você também perde um pouco da sua privacidade. Eu estava dirigindo pra casa há dois dias. Parei no estacionamento de uma loja de drinques no caminho, e um carro parou do meu lado. Eu estava andando para a loja e ouvi, "Com licença!" Era uma mãe e o filho de dez anos. Ela falou, 'Meu filho te reconheceu, então a gente te seguiu até você parar. Pode dar um autógrafo?'"

O sucesso trouxe grande reconhecimento - grande até demais para os membros, quando souberam que tocariam com os Ramones e os pais do punk apenas abririam o show para eles.

- Ficamos desconfortáveis com isso - diz Noodles. - Eles eram imensos, lendários. Deveriam estar depois de nós, como atração principal.

Conversaram então com os Ramones, que insistiram que o Offspring era gigante e que estava tudo certo. - Eles foram muito tranquilos. São uma banda incrível.

Tendo chegado à estratosfera, houve muita pressão para se manterem lá.

- Todo mundo estava dizendo "cuidado com o álbum após a fama", então já estávamos meio que esperando isso - conta Dexter. - Você também não pode realmente esperar que outro álbum faça o mesmo sucesso que "Smash" fez, porque é uma coisa de uma vez na vida.

O álbum seguinte, "Ixnay On The Hombre" (1997), vendeu bem, mas não para as expectativas da gravadora.

- Quantos músicos podem ter um álbum que vende tão bem quanto "Smash"? Não muitos - diz Noodles. - Então já nos consideramos sortudos. Pudemos sair em tour por 15 meses só nas costas dele. Vamos ver, "Ixnay"? Só vendeu uns três milhões? Muito pouco, né? - brinca. - Mas nos redimimos aos olhos das gravadoras com "Americana".

- Felizmente para nós, foi uma coisa de duas vezes na vida, porque "Americana" fez muito sucesso - diz Dexter, sobre o álbum de 1998 que nos deu "Pretty Fly (For A White Guy)" e "The Kids Aren't Alright". - Também sabíamos que, para ter uma vida após "Smash", não podíamos só repetir o que estava lá, tínhamos que expandir os horizontes da banda.

"Para os fãs de carteirinha, é inversamente proporcional. Quanto menos sucesso um álbum faz, mais os fãs hardcore gostam dele. As pessoas me dizem o tempo todo, 'Detesto a sua música mais popular, mas gosto das que só eu e meus amigos conhecemos!'"

A situação financeira ficou tão confortável que, para o lançamento do álbum "Conspiracy of One" (2000), houve um prêmio de um milhão de dólares (!), do dinheiro pessoal da banda, sorteado entre todos que baixaram o single "Original Prankster" no site oficial (na época dos primórdios da internet). A vencedora foi uma garota de 14 anos.

- A gente não era nem a banda favorita dela! - exclama Noodles. - Éramos só a segunda banda favorita, depois do Slipknot! E ela sumiu! Ninguém sabe o que aconteceu com ela. Vai ver ela fugiu com o Slipknot...

Hoje, em casas maiores e camas melhores, será que eles amoleceram a visão política, tão crítica no começo ("Kill The President", "LAPD")?

- Não acho - diz Noodles. - Ainda amo aquele primeiro álbum. E fico feliz de ainda termos um presidente que eu odeio. [Na época, George W. Bush.]

Na época da entrevista, o grupo ainda tinha um álbum a gravar para cumprir contrato, mas e depois?

- Não consigo nos imaginar sem nos reunir e fazer música - diz Noodles. - A gente se conhece desde criança e nos damos muito bem.

De fato, eles não pararam.

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