Marty Friedman explica por que pessoas não ouvem solos de guitarra; "Até eu os ignoro"
Por Mateus Ribeiro
Postado em 11 de maio de 2022
O talentoso guitarrista estadunidense Marty Friedman, que fez parte da formação clássica do Megadeth, fez uma postagem interessante em seu perfil do Facebook na última sexta-feira (6 de maio). O músico, que reside no Japão há muitos anos, explicou por que as pessoas não costumam mais ouvir solos de guitarra, de acordo com suas convicções.
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"Foi relatado (verdade ou não, quem sabe) que no Japão, aparentemente os dados mostram que em aplicativos de assinatura de música, muitas pessoas estão pulando para a próxima música quando o solo de guitarra toca. Isso faz sentido e não me surpreenderia se fosse verdade", escreveu o exímio guitarrista no início do post.
Para Marty Friedman, fãs de pop não curte solos de guitarra
Em outro trecho de seu relato, Marty diz que possivelmente, são fãs de pop music que não se interessam muito pelos solos de guitarra. "Em primeiro lugar, acredito que esses dados devem estar se referindo ao mainstream da música de sucesso, não a bandas de heavy metal e bandas de rock. Estou falando do que a grande maioria das pessoas ouve, artistas pop que estão no topo das paradas. A jornada de uma música de sucesso real, desde a criação até o usuário final, é incrivelmente longa e há uma lista enorme de profissionais envolvidos. Além do próprio artista, você tem o(s) compositor(es), letrista(s), produtor, arranjador, músicos de estúdio, pessoas da gravadora, engenheiros e técnicos de gravação, criadores de videoclipes, diretores e técnicos pessoal e muito mais. Neste ponto ainda não sabemos se a música será popular ou não, mas uma coisa é certa, há muito dinheiro e tempo sendo apostados.
Pelas razões acima, os solos de guitarra praticamente desapareceram nos níveis mais altos do mainstream dos EUA e de outros países também. Felizmente para nós no Japão, estamos acostumados a ter solos de guitarra em todos os gêneros de música. Eles [os solos] estão tão arraigados na consciência do ouvinte japonês que muitos produtores, artistas e pessoas do mundo da música podem sentir que o solo de guitarra é uma parte importante da música, uma pausa para o vocalista e um ‘som’ necessário de familiaridade", afirmou.
O solo precisa fazer sentido
Marty, que sempre foi reconhecido pelo seu feeling na hora de solar, também disse que o solo de guitarra é muito mais do que apenas uma parte obrigatória na música. "O problema é que às vezes, o solo pode assumir uma existência obrigatória, onde desde que haja algum tipo de solo de guitarra distorcido para 8 compassos em algum lugar da música, a cota é cumprida e tudo está bem. Isso não basta, gente! Não é à toa que as pessoas pulam os solos de guitarra quando ouvem. Até eu os ignoro às vezes (...). Com todas as pessoas e tarefas listadas acima envolvidas em fazer essa música de sucesso, o solo de guitarra é a primeira coisa que alguns produtores sentem que podem economizar tempo, energia, compromisso e dinheiro. ‘Ah, o solo é bom, o guitarrista é ótimo, soa bem para mim’. Este é o problema. No rock pesado, os fãs se preocupam muito com as nuances dos solos de guitarra e os amam, ainda mais do que o resto da música (...). Imagine qualquer música do Queen com algum solo de guitarra aleatório vindo logo após a apresentação de Freddie [Mercury]? Esses solos seriam ignorados, com certeza. Então, ao invés de ter um solo de guitarra na música apenas por uma questão de familiaridade, ou porque um solo de guitarra soa legal (eles costumam soar), ele deve estar lá por uma razão mais profunda".
A postagem original, que gerou mais de 200 comentários, pode ser vista a seguir.
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