Lobão diz que direita e esquerda estão juntas no boicote ao Rock no Brasil
Por Bruce William
Postado em 29 de junho de 2022
Em um corte da participação de Lobão no podcast Corredor 5, apresentado por Clemente Magalhães, o músico diz que "O rock nunca foi aceito no Brasil, nem pela direita e nem pela esquerda": "Dentro do inconsciente coletivo, da mentalidade brasileira, o rock não é pra ser aceito no Brasil. E isso sempre foi assim no Brasil, desde a passeata contra a guitarra elétrica em 1967 até os dias de hoje", diz Lobão. "Eu era virgem, nunca tinha fumado maconha mas era cabeludo, tinha 13, 14 anos, passava na rua e recebia revista da polícia porque era maconheiro, marginal, porque estava carregando instrumento".
"E você tinha a direita que estava no poder na época, os militares, todos contra o Rock, e tinha a esquerda também", prossegue Lobão, explicando que nunca foi classificado com música em festival e todos os amigos de época dele que foram campeões, todos eram "futuros Chicos Buarques, eram incentivados. Aprendi muita coisa com eles, acho muito legal. Só não acho certo essa ditadura, tanto da direita quanto da esquerda. Um antropólogo, sociólogo ou alguém vai estudar porque este fetiche pela negação ao Rock. A esquerda diz que é cultura imperialista (norte) americana, a direita diz que é coisa de maconheiro, gente que não toma banho e que é fedorento. O fato é que ambos os lados se unem para ter uma ojeriza, uma urticária estético-moral".
Clemente então pergunta se Lobão acha que o fenômeno do BRock dos anos oitenta foi um acidente de percurso: "Foi um acidente e que foi devidamente drenado porque, não sei se você se lembra, toda a imprensa dizia 'este é o último verão do Rock', 'o rock Brasil não tem mais gás', mas foram dez verões, cada vez os discos saindo melhores, letras mais elaboradas, as bandas melhorando. E veio o Rock in Rio pra acabar com a gente, a Bizz foi uma revista feita pra acabar com o Rock Nacional, então a gente teve que lutar o tempo todo!"
Lobão continua dizendo que houve um boicote generalizado, e mais adiante comenta que quem sobreviveu da geração dele, "Acabou tendo que, de uma forma ou de outra, dar uma abrasileiradinha. Ficou mais tribalista, ficou mais Marisa Monte, senão você não toca no SESC, você não consegue tocar, há uma patrulha mesmo, uma coisa sistemática. E eu me recuso, desde a época do Wilson Simonal, eu me recuso a fazer parte disso, eu não vou me submeter a isso. Eu acho que sou a única pessoa que está viva ainda que não se submeteu e continua inteira, vamos dizer assim".
A participação completa de Lobão no podcast "Corredor 5" pode ser conferida no vídeo abaixo.
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