Robert Smith comenta o segundo álbum do The Cure, "Seventeen Seconds"
Por André Garcia
Postado em 15 de julho de 2022
Formado em 1978 pelo guitarrista e vocalista Robert Smith, o The Cure debutou com o lançamento de "Three Imaginary Boys" (1979). No entanto, por não ter tido liberdade criativa, ou sequer poder de escolha sobre a ordem das faixas ou a capa, ele já declarou ser um dos que ele menos gosta de toda sua discografia.
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Após uma temporada se dividindo entre tocar no The Cure e o Siouxsie and the Banshees, em 1980 ele retornou ao estúdio com um tecladista e um novo baixista para gravar seu segundo disco, "Seventeen Seconds". E dessa vez o vocalista decidiu tomar as rédeas daquele trabalho — bancando a gravação, ele se certificou de que teria controle total, e que chegaria às lojas a obra como foi idealizada. Em entrevista para a Rolling Stone, ele comentou o álbum, o colocando entre os que mais o agradaram.
"Com o dinheiro que ganhamos com 'Three Imaginary Boys', eu paguei 10 dias de estúdio", contou ele. "Nós usamos apenas oito, então peguei de volta o dinheiro dos dois últimos. O que foi bom, porque gastamos bem mais do que eu esperava em cerveja. Nós tiramos todas as fotos no dia que terminamos a gravação, por volta das oito da manhã. Eu disse para o cara 'Você pode usar uma daquelas [fotos] que ficaram fora de foco', porque as focadas ficaram horrorosas."
"Durante [a gravação de] 'Seventeen Seconds'", acrescentou, "nós sinceramente pensamos estarmos criando algo que ninguém havia feito antes. Daquele ponto em diante, eu acreditei que todo álbum iria ser o último do The Cure, então sempre busquei algo que fosse de alguma forma um marco. Eu sinto que 'Seventeen Seconds' é um dos poucos álbuns que genuinamente alcançaram aquilo."
"Com 'A Forest' eu queria fazer algo realmente atmosférico, e ela soa fantástica. Chris Parry [produtor de 'Three Imaginary Boys'] disse: 'Se você tornar ela amigável para as rádios, você tem um grande hit nas mãos.' Eu respondi: 'Mas é assim que ela soa. É o som que eu tenho em minha cabeça. Não importa se é ou não amigável para as rádios.' Ele às vezes achava que eu propositalmente meio que tentava impedir a banda de fazer sucesso, mas não era o caso. Uma das razões de as pessoas gostarem da banda é justamente nunca terem certeza do que virá a seguir. Se fossemos previsíveis, com certeza não teríamos durado tanto tempo", concluiu.
"Seventeen Seconds" foi considerado um dos marcos iniciais para o surgimento do rock gótico nos anos 80. O disco chegou a #20 nas paradas da Inglaterra, mas nem sequer entrou na Billboard. No entanto, resistindo à prova do tempo, se tornou cada vez mais popular com o passar das décadas. Assim, em 2020, chegou a #21 nas paradas de álbuns alternativos da Billboard e em #7 nas paradas de discos de vinil.
Lançada como seu único single, "A Forest" recebeu um clipe (exibido no Top of the Pops) e chegou #47 nas paradas de dance music da Billboard e em #31 na Inglaterra.
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