Quando "Another Brick In The Wall" do Pink Floyd virou a canção romântica "Até o Céu"
Por Bruce William
Postado em 25 de dezembro de 2022
"Another Brick in the Wall - Part II" é uma das músicas mais conhecidas do Pink Floyd. Lançada no "The Wall", de 1979, ela também saiu como single, algo raro em se tratando da banda formada por Roger Waters, David Gilmour, Nick Mason e Rick Wright. O single atingiu o primeiro lugar nas paradas em vários países impulsionado por sua letra contestatória, cantada por crianças de uma escola britânica e pelo marcante verso que começa com "We don't need no education", que se tornou símbolo de protesto e passou a ser usado/mencionado em inúmeras situações diferentes mundo afora.
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"We don’t need no education"/ "We don’t need no thought control"/ "No dark sarcasm in the classroom"/ "Teachers leave them kids alone"/ "Hey! Teachers! Leave them kids alone!"/ "All in all it’s just another brick in the wall"/ "All in all you’re just another brick in the wall".
"Nós não precisamos de nenhuma educação"/ "Nós não precisamos de nenhum tipo de lavagem cerebral"/ "(Não precisamos de) Nenhum sarcasmo na sala de aula"/ "Os professores deixam as crianças sozinhas"/ "Ei! Professores! Deixem as crianças em paz!/ "No final das contas, é apenas mais um tijolo no muro"/ "No final das contas, você é apenas mais um tijolo no muro".
A ideia original do autor, Roger Waters, era a possibilidade da juventude poder se expressar e não ser repreendida por isso, conforme ele contou em um documentário de 2018: "Realmente, a coisa mais importante dessa música não é a relação com o professor e a escola. Acho que foi a primeira coisa que escrevi em que expressei liricamente a ideia de que você pode construir uma parede com um certo número de tijolos diferentes, que quando encaixados, formam algo impermeável".
O que também impulsionou o sucesso de "Another Brick in the Wall - Part II" foi o vídeo extraído da versão cinematográfica do "The Wall", que mostra uma cena protagonizada por Pink, o personagem central do filme. Conforme descreve o wikipedia, "Pink imagina vários estudantes marchando ao ritmo da música, voltando-se para uma máquina da qual se transforma clones vazios com uma face de barro sem qualquer distinção um do outro. Esses estudantes caem em um moedor de carne, são pulverizados e picados e saem como salsichas. Começando com um solo de guitarra de Gilmour, as crianças destroem a escola, a incendiando, arrastando seus professores para fora da escola entre golpes e gritos. A música termina com Pink esfregando a mão, depois que o professor bate nele com uma régua. Esta versão cinematográfica foi utilizada como um clipe nos canais MTV e VH1".
A versão sertaneja de "Another Brick in the Wall" que deturpa completamente o sentido original da canção
Não é exagero dizer que muitas pessoas não conhecem praticamente mais nenhuma outra música do Pink Floyd a não ser "Another Brick in the Wall - Part II", e a prova está na versão brasileira feita há alguns anos por uma dupla de sertanejo universitário chamada Max e Luan, de Minaçu, em Goiânia. Ela pode ser conferida no vídeo abaixo - muito bem produzido, diga-se de passagem.
No começo têm-se a impressão que seria apenas uma releitura com instrumental adaptado, já que são cantados os dois primeiros versos da letra no seu original em inglês: "We don’t need no education"/ "We don’t need no thought control". Ledo engano, pois a partir daí a coisa muda completamente: "Eu te amo, você nem tanto"/ "Vou te seguindo até o céu". E o verdadeiro grito de liberdade do verso "Hey, Teacher, leave them kids alone!" virou "Hey, menina! Me dá um sinal!"
A letra prossegue com as frases "Já não sei disfarçar, minha estrela é você"/ "Já não sei disfarçar, o meu voo é você". Em seguida, são repetidos novamente os dois primeiros versos e a parte até o "sinal", e vêm o desfecho: "Vou voando bem alto, até te encontrar"/ "Eu sei que um dia você vai me amar"/ "Vou voando bem alto, até te encontrar"/ "Me dá um sinal!".
Outra famosa releitura brasileira de "Another Brick in The Wall" é essa feita abaixo por Gleyfy Brauly, que na época do lançamento chegou a ser repostada por Nick Mason em suas redes sociais. O grande diferencial desta versão do Gleyfy é que ele ao menos parece que "tentou" manter a letra original...
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