Michale Graves explica decisão de se juntar a grupo pró-Trump que invadiu Capitólio dos EUA
Por Gustavo Maiato
Postado em 04 de dezembro de 2022
Michale Graves, ex-Misfits, assumiu sua posição de extrema direita quando se filiou ao grupo "Proud Boys", que foi um dos responsáveis pela invasão ao Capitólio dos EUA quando Donald Trump perdeu as eleições em 2021.
Em entrevista ao jornalista musical Marcelo Vieira, Michale Graves explicou essa decisão de integrar o grupo e deu mais detalhes sobre seu posicionamento político.
"Sim, eu certamente avaliei os riscos quando me juntei ao grupo. Sabia que haveria conflitos. Mas a natureza do punk rock e do rock como um todo é o conflito; e não estou falando de conflito físico, mas o conflito de ideias, que é o que importa. Para o mundo funcionar, todo mundo tem que ouvir uns aos outros e saber lidar com ideias conflitantes. O problema é que definições como "proud boy", "cristão", "pró-Trump" viram uma chave na cabeça das pessoas e elas o classificam segundo uma política de identidade. Qualquer pessoa que me conheça ou tenha trabalhado comigo sabe que sou muito aberto e sem papas na língua. Todos sempre podem me perguntar o que quiserem que responderei na maior calma. Mas essas acusações que foram feitas contra mim, de ser nazista, de odiar gays, minorias, imigrantes, negros? Isso não é verdade. Nesse sentido, sou muito mais um hippie do que um punk. O que me levou a me juntar [ao Proud Boys] foi querer dar continuidade a um trabalho que eu já fazia antes mesmo de entrar no Misfits. Quando entrei no Misfits, ainda havia skinheads, caras ligados ao white power, indo aos shows. Naquela época, trabalhei de maneira produtiva para, antes de tudo, conter a violência e impedir que as pessoas se machucassem. É esse o trabalho que retomei em 2020 e sigo tentando fazer até hoje. Um clima de guerra havia tomado conta das ruas. Pessoas estavam se ferindo, sendo mortas. Proud Boys de um lado, Black Lives Matter de outro. Muita gente não sabe porque não é noticiado, mas teve gente de ambos os grupos se reunindo e tentando chegar num denominador comum. Olhando uns nos olhos dos outros e tentando encontrar maneiras de sanar o que vinha acontecendo. Muitas cidades aqui nos Estados Unidos vinham sendo palco de tumultos e destruição por parte de movimentos como o Black Lives Matter e o Antifa. O Proud Boys atua mais no campo ideológico, sem qualquer participação na violência que vinha tomando conta do país. Eu já conhecia pessoas do alto escalão do grupo, e outras coisas que aconteceram me levaram a ingressar. Me juntar ao Proud Boys foi a minha maneira de dizer que este é o lado que escolho; o lado da não violência. Foi também como uma forma de representar o grupo e as pessoas daquele grupo para os mais jovens que também se identificam com essa ideologia; chegar até eles e ser uma espécie de líder e mentor para eles, para que não usem da violência e tomem as decisões certas. Muito do meu trabalho se dá no campo espiritual. Sou um cristão convertido, aceitei Jesus Cristo como meu Senhor e Salvador. Então me sento com muitos desses jovens para conversar sobre espiritualidade, tomada de decisões e também coordenar, com membros do Black Lives Matter e Antifa, essa coisa de que a violência tem que parar. Chega de assassinatos nas ruas", disse.
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