Malcolm Young sobre o AC/DC na Inglaterra em 1976: "Éramos cinco f*didos"
Por André Garcia
Postado em 25 de março de 2023
Em 1976, o AC/DC se mudou da Austrália para a Inglaterra, com a missão de conquistar seu espaço na primeira prateleira do rock mundial. Musicalmente, eles se sentiram em casa, pois coincidiram com o surgimento das primeiras bandas punks, com as quais tinham muito em comum. Culturalmente, por outro lado, eles entraram em choque com a cena local.
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Em entrevista para a Classic Rock, Malcolm Young lembrou a barra pesada que foi para eles a chegada em Londres:
"Não passávamos de cinco f*didos carregando nosso próprio equipamento em uma van, sempre era difícil. Mas sempre batíamos de frente com qualquer um. Quando você tem cinco caras se virando e dizendo, 'Ah é? O que você vai fazer a respeito?', isso fazia as pessoas pensarem 'Peraí, eles podem ter uma arma ou algo assim'. Tivemos que lutar muito. Sempre havia encrenqueiros nos esperando depois dos shows; recebíamos pedradas na janela; ameaças com escopetas apontadas para nós…"
Angus relembrou certa vez: "Teve um lugar que um moleque cuspiu em mim quando subimos no palco. Eu falei 'Para com isso!' e dei um chute na cara dele. Ele não fez de novo."
Por conta de seu som alto, barulhento, frenético, inspirado em rock n roll clássico e girando em torno de poucos acordes e muita anarquia… o AC/DC acabou considerado por alguns como uma das mais promissoras bandas punk. Malcolm não ficou nada feliz em receber aquele rótulo:
"Nunca nos dissemos punks! Em toda entrevista a gente dizia 'Nós não somos punks, p*rra, somos uma banda de rock n roll'."
Em 1977, quando o punk chegou a seu auge, o AC/DC parecia querer se desvencilhar daquilo. O álbum "Let There Be Rock", embora mais feroz que nunca, apresentou uma ênfase maior nos solos, estruturas musicais e melodias. E em "Powerage" (1978) iria ainda mais além nesse rumo.
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