Crônica: Novo álbum do Metallica nos cinemas só vale pela trilha sonora
Por Leandro Divera
Postado em 15 de abril de 2023
Noite de quinta-feira no Shopping Pátio Paulista, perto da avenida de mesmo nome em São Paulo. Um grupelho uniformizado ocupa o saguão do cinema. Alguns vestem coletes de couro e cintos pontiagudos; outros tiraram a camiseta de banda do armário só para a ocasião especial. Não são muito diferentes dos fãs de Harry Potter ou Star Wars, vestidos a caráter para celebrar seus heróis favoritos.
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A atração é o novo álbum do Metallica, 72 Seasons, em cartaz no mundo todo por um único dia, antes de aparecer magicamente no seu celular. A ideia agradou, e os empresários da banda conseguiram devolver ao "dia D" do lançamento alguma importância na era do streaming.
As barbas grisalhas são uma pista sobre o público-alvo. A presença feminina também é maciça. Em menor número, a galera de 20 e poucos anos mostra que há esperança no front.
Casa cheia, climinha de antecipação, o troço começa. Yes! A primeira faixa tem a sutileza de uma reforma no apartamento de cima. Mas algo não está certo. O glorioso Cinemark, num atestado de ignorância sônica, só ligou os alto-falantes frontais. Lá se vai o sonho de ouvir tudo num sonzasso de proporções homéricas.
É claro que o álbum não foi mixado em 5.1 Surround - o que provavelmente resultaria numa bagunça total. Mas as paredes e o teto são repletos de caixas que funcionam perfeitamente em estéreo, todas desligadas. Sacrilégio! Na moral, até o porta-malas de um Chevette faria melhor. Quem diria? Parece que temos muito a aprender com os funkeiros.
Completando a lambança, o conteúdo visual durante a maior parte das músicas é de baixíssimo orçamento. Apenas quatro delas ganharam videoclipes caprichados. As outras, só gráficos genéricos medonhos, que fariam o visualizador do Windows Media Player 98 parecer a última palavra em tecnologia.
Em meio aos pixels sem sentido, os comentários da banda são pausas bem-vindas entre uma faixa e outra. Quem rouba a cena é o baterista Lars Ulrich, que desbanca a timidez dos colegas e provoca risos da plateia sem esforço.
Os mais fiéis aplaudem e assoviam ao fim de cada música, mesmo sabendo que aplaudir uma tela de cinema é um negócio meio idiota. Nessas horas, as palmas servem mais como uma comunicação entre os próprios fãs. É como se dissessem "estamos gostando, não é mesmo? Estamos diante de algo grandioso, certo?". Em resposta, os demais aplaudem de forma contida, mas suficiente para servir como um "sim". Ufa!
Créditos finais. O público deixa a sala claramente energizado. As conversas sobre faixas favoritas mostram que o errado deu certo. Nem o visual pobre, nem o volume modesto frustraram os fãs - prova de que o álbum é brabo pra dedéu.
Pouco depois, a faixa-título começa a tocar novamente, mas ninguém se importa. À meia-noite, todas as músicas estariam online. De repente, um fone de ouvido parecia bastar.
Caro Lars: da próxima vez, convida a gente pra uma festa, pro estúdio, até pro trio elétrico - mas cinema não é lugar de escutar música.
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