Como filme de Cazuza produzido pela Globo distorceu o Barão Vermelho, segundo Goffi
Por Gustavo Maiato
Postado em 20 de setembro de 2023
O filme "Cazuza: O Tempo Não Pára" é uma obra que retrata a vida e a carreira do icônico cantor brasileiro Cazuza. A produção de 2004, coproduzida pela Globo Filmes e pelo renomado diretor Daniel Filho, captura a trajetória emocional e artística de Cazuza.
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Com uma abordagem sensível, o filme oferece aos espectadores uma visão aprofundada da vida do artista, suas lutas, conquistas e a sua intensa relação com a música. A colaboração entre a Globo Filmes e Daniel Filho resultou em uma obra cinematográfica que emociona e cativa, homenageando a memória e o legado de Cazuza.
Mas qual a opinião de Guto Goffi, baterista do Barão Vermelho, sobre como a banda foi retratada na película? Em entrevista ao Corredor 5, ele explicou que a maneira com que o Barão é retratado é distorcida.
"Era assim, uma nave que não importava mais para onde estava indo, todos estavam felizes, se abraçando o tempo todo, percorrendo o Leblon à noite, a praia todos os dias, ensaios à tarde, Leblon à noite, praia e ensaios durante muitos anos. Foram dois, sei lá. Tanto que o Barão Vermelho é uma banda que evoluiu rapidamente, porque nos víamos todos os dias. Éramos uma banda que ensaiava todos os dias, e cada vez que participávamos de grandes festivais, nos dedicávamos a ensaiar muito para estar preparados na hora, para correr aquela maratona.
São coisas que você vai aprendendo. Agora, percebi uma coisa no filme do Cazuza, quando vi o filme pela primeira vez. O Barão estava sendo tratado de uma forma meio infantilizada, como se fôssemos uma banda de playground, tocando aquela música do Deep Purple. Eu sentia que nos retrataram como muito amadores, mas não era isso, porque o Barão, como ensaiávamos todos os dias, começou a ganhar força como banda e no palco, convivíamos com isso".
O filme de Cazuza
Durante uma conversa entre o jornalista Luiz Felipe Carneiro, do programa "Alta Fidelidade", e Clemente Magalhães, do Corredor 5, diversos tópicos foram discutidos, incluindo a singularidade da personalidade de Renato Russo, que conferiu às suas músicas uma qualidade única em sua voz e interpretação.
Em contrapartida, Cazuza teve suas canções gravadas por vários artistas de sucesso, o que levou à discussão sobre o filme "Cazuza - O Tempo Não Para", onde o papel do cantor foi desempenhado pelo ator Daniel de Oliveira. A matéria é assinada por Bruce William.
Clemente expressou sua impressão sobre a atuação de Daniel, afirmando que o desempenho do ator foi notável, dizendo: "Aliás, aquele filme em que o Daniel interpreta o Cazuza é impressionante, não é?" Luiz Felipe concordou e acrescentou: "É verdade, se aquele filme fosse estrangeiro, o Daniel teria ganhado um Oscar de Melhor Ator, é realmente impressionante."
Clemente questionou Luiz sobre se ele também teve a sensação estranha de ver Cazuza no final do filme, devido à convincente interpretação de Daniel. Luiz mais uma vez concordou e compartilhou sua surpresa ao descobrir que as cenas que mostravam Cazuza durante sua doença não eram imagens de arquivo, mas sim a interpretação de Daniel.
Luiz Felipe compartilhou que é comum encontrar reportagens antigas que utilizam imagens de Daniel como se fossem de Cazuza, devido à impressionante caracterização e interpretação do ator. Ele ainda enfatizou: "Sinceramente, para mim, o filme sobre Cazuza é muito melhor do que o filme sobre o Queen, e Daniel está muito superior ao ator que interpretou Freddie Mercury."
A discussão continuou com comentários sobre o filme e a notável atuação de Daniel, até que Clemente compartilhou uma observação de Nilo Romero, o baixista que gravou e dirigiu shows de Cazuza. Romero afirmou: "Cazuza, antes de adoecer, cantava para a sua geração. Quando descobriu que estava doente, ele passou a cantar para a geração que o acompanhava. Essa mudança de abordagem refletiu em seu olhar, e Daniel conseguiu reproduzir esse olhar de maneira incrível. O cara foi muito sensível, um grande ator".
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