O álbum de Metal Progressivo que fez Bruce perceber que o Maiden estava ficando pra trás
Por Bruce William
Postado em 20 de novembro de 2023
Comumente se descreve o Metal Progressivo, também conhecido como Prog Metal, como um subgênero do Heavy Metal que incorpora e funde elementos do Rock Progressivo, moldando um estilo que é caracterizado pela complexidade musical com uso de estruturas não convencionais de composição, habilidades técnicas avançadas dos músicos e uma abordagem mais experimental em relação à música.
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Dentro do Metal Progressivo é comum encontrar longas composições, mudanças de tempo frequentes, uso extensivo de instrumentos musicais complexos, letras líricas mais elaboradas e temas conceituais, com seus músicos muitas vezes buscando empurrar os limites do gênero, explorando novas sonoridades e incorporando elementos de diversos estilos musicais.
E uma das bandas que se destacam dentro do Metal Progressivo está o Queensryche, cujo terceiro álbum, "Operation: Mindcrime" de 1988, registrado pela formação que contava com Chris DeGarmo, Geoff Tate, Michael Wilton, Eddie Jackson e Scott Rockenfield, é considerado um dos grandes clássicos do gênero, e se trata de um álbum conceitual que narra uma história envolvendo um usuário de substâncias ilegais que, desiludido com a sociedade corrupta, acaba se envolvendo, embora de forma relutante, com um grupo revolucionários e assume o papel de um exterminador de líderes políticos. Uma longa e detalhada resenha sobre ele pode ser vista neste link.
O álbum do Iron Maiden que reacendeu o entusiasmo de Bruce Dickinson, mas não saiu como poderia
E em conversa com o escritor e crítico musical Martin Popoff, publicada na edição de nº 25 da Brave Words & Bloody Kuckles, o vocalista falou sobre o "Seventh Son of a Seventh Son", sétimo álbum de estúdio do Iron Maiden e que a banda lançou cerca de um mês antes do trabalho do Queensryche.
"O álbum 'Seventh Son' reacendeu consideravelmente meu entusiasmo. A ideia de criar um álbum conceitual foi algo que realmente me cativou. Fui, em grande parte, responsável pelo conceito da capa, em colaboração com Derek. A proposta era criar algo surreal, uma representação surrealista do Eddie. Derek apresentou uma ideia com a qual fiquei muito satisfeito", diz Bruce, fazendo em seguida uma reveladora confissão:
"No entanto, o que achei curioso foi que levamos o álbum até certo ponto e, depois, ele não foi mais desenvolvido. No mesmo ano, durante o processo de mixagem ou algo parecido, ouvi algumas faixas antecipadas de 'Operation: Mindcrime' do Queensryche e fiquei impressionado. Lembro-me de estar dirigindo por uma rua em um parque na Alemanha, ouvindo essas quatro faixas de 'Mindcrime'. Parei o carro, sentei no volante com as mãos na cabeça e percebi que era aquilo ali que a gente deveria ter feito com o 'Seventh Son". Deveria ter sido daquele jeito. E poderia ter sido se tivéssemos nos forçado mais, pensado, planejado e discutido mais profundamente. Não se cria um álbum conceitual assim em cinco minutos. Não se cola algumas ideias de forma vaga e diz que está pronto, é um álbum conceitual. Esse foi meu sentimento na época", disse.
Mas Bruce acha que o trabalho do Maiden teve seus méritos: "Embora estivesse orgulhoso, sempre pairava sobre mim o pensamento de que, artisticamente, ficamos em segundo plano. Também em termos de crítica. Na percepção que ficou para o mundo, 'Mindcrime' foi um álbum inovador, enquanto "Seventh Son" não chegou a esse patamar. Para os fãs do Iron Maiden, talvez tenha sido, mas eu sentia na época que havia essa bolha do Maiden e o resto do mundo".
"Seventh Son of a Seventh Son" marcou a última participação do guitarrista Adrian Smith na formação da era "Piece Of Mind" antes de sua saída, sendo que ele só retornaria ao Iron Maiden em 1999. Junto com o "Somewhere in Time", é o álbum que marca a fase da banda onde eles incorporaram sintetizadores e teclados.
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