Gigantes do rock progressivo homenageiam o lendário tecladista Keith Emerson
Por André Garcia
Postado em 28 de dezembro de 2023
O rock progressivo foi gestado ao longo da segunda metade dos anos 60, e nos primeiros anos da década seguinte viveu sua era de ouro: muitas das grandes bandas do gênero viveram, ao mesmo tempo, seu auge.
Entre elas haviam quatro que se destacavam: Yes, Genesis, Pink Floyd e Emerson Lake & Palmer. Um power trio sem guitarra, era formado por Keith Emerson no teclado, Greg Lake no baixo e vocal e Carl Palmer na bateria. Juntos, ficaram famosos por seu primor técnico coletivo, virtuosismo individual e versatilidade.
Amplamente considerado um dos maiores de seu instrumento, Emerson brilhava por sua velocidade, técnica e também por suas performances extravagantes. Tragicamente, ele cometeu suicídio aos 71 anos em 2016 — por não conseguir mais tocar perfeitamente, segundo sua namorada.
Emerson Lake And Palmer - Mais...
Em recente publicação da Prog, alguns dos maiores nomes do rock progressivo relembraram o brilhantismo de Keith Emerson — desde antes do ELP.
Ian Anderson (Jethro Tull) escolheu "The Diamond Hard Blue Apples Of The Moon", do álbum "The Thoughts Of Emerlist Davjack" (1968), do The Nice:
"O The Nice se destacou dos habituais colegas das bandas de blues com músicas mais complexas e arranjos musicais que marcaram o início do rock progressivo. [...] A ousada e enérgica execução do órgão por Keith Emerson era algo fascinante, e ganhava credibilidade por suas evidentes habilidades musicais no piano e formação acadêmica."
Derek Shulman (Gentle Giant) escolheu "Rondo", do mesmo álbum acima:
"Eu sempre amei a forma como o Keith tocava no The Nice. Foi uma grande surpresa eles reinterpretarem aquele incomum clássico de Dave Brubeck, em compasso 9/8, em um rock 4/4 — e ainda manter seu apelo. Aquilo era algo que Keith sempre foi capaz de fazer magnificamente ao longo de sua carreira musical, tanto com o ELP quanto em seus trabalhos solo."
Geoff Downes (Yes) escolheu "Intermezzo From The Karelia Suite, do álbum "Ars Longa Vita Brevis" (1968), do The Nice:
"O tratamento de Keith à música clássica era totalmente único. Em particular, seu trabalho inicial com o The Nice lançou as bases para sua incrível carreira. Meu álbum favorito dessa época era 'Ars Longa Vita Brevis', e sua interpretação em 'Intermezzo From The Karelia Suite' realmente se destacou para mim."
Theo Travis (Soft Machine) escolheu "Promenade / The Gnome", do álbum "Pictures At An Exhibition" (1971), do Emerson Lake & Palmer:
"Keith Emerson é majestoso: a forma como ele toca o órgão tão bem; e ainda utiliza outros sons interessantes de sintetizadores — parece música antiga e depois fica com uma pegada de ficção científica. [...] É emocionante assistir a uma antiga performance de Keith Emerson, tocando o órgão de cabeça para baixo enquanto ele se deita sobre ele e usa facas para prender teclas específicas. Ele pegou a coisa do Hendrix e a traduziu para os teclados. Muito emocionante!"
Rick Wakeman (Yes) escolheu "Nut Rocker", do mesmo álbum acima:
"Embora Keith fosse muito mais orientado para o jazz do que eu, o que mais admiro é a forma como ele fundia o jazz aos diversos gêneros musicais que tocava. Ambos tínhamos muitas influências em comum, como Jimmy Smith, e ambos gostávamos de peças divertidas. Daí, 'Hoedown' e 'Nut Rocker', ambos números de palco incríveis e muito adequados à extravagância de Keith."
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