O conselho precioso de um pai que se transformou em um dos maiores hits da história
Por Mateus Ribeiro
Postado em 24 de março de 2024
A clássica "Don't Stop Believin'", da banda Journey, é uma das músicas mais famosas gravadas por uma banda de Rock. Além de sua melodia cativante, "Don't Stop Believin’" chama a atenção pelo título, que é uma mensagem pra lá de importante: "Não pare de acreditar".
Lançada há mais de 40 anos, "Don't Stop Believin'" continua fazendo muito sucesso, tanto que recentemente foi considerada a maior música de todos os tempos dos Estados Unidos da América. Em breve, o hit do Journey passará 2 bilhões de plays no Spotify, outra marca histórica.
Sem dúvidas, "Don't Stop Believin'" se tornou um sucesso de proporções colossais. E ao menos uma parte do sucesso alcançado pela canção deve ser creditada ao pai de Jonathan Cain, tecladista do Journey e um dos autores da música que é o tema desta nota.
"A música começou com o refrão. Meu pai havia me treinado. Eu estava em Hollywood, lutando com minha carreira, meio perdido. Eu perguntei a ele: ‘Devo voltar para Chicago e desistir desse sonho?’. E ele respondeu: ‘Não, filho. Mantenha o rumo. Temos uma visão. Isso vai acontecer. Não pare de acreditar’", declarou Cain, durante entrevista concedida ao site Songfacts.
"Então, escrevi isso em um caderno espiral e, anos depois, fui para São Francisco. Isso aconteceu antes de eu entrar no [grupo] The Babys. Foi em 76 ou 77, algo assim. Entrei no Journey em 1980. Eu tinha o caderno, estávamos gravando o álbum ‘Escape’ [lançado em 1981]. Eles [membros da banda] perguntaram: ‘Você tem uma música?’.
Olhei no meu caderno e vi o título. Eu disse: ‘Senhor, mostre-me que Steve Perry [vocalista] adoraria cantar essa música’. Então, eu escrevi um refrão. Eles entraram e eu disse: ‘Bem, eu confio em vocês. Vamos escrever o resto’. E assim fizemos", complementou o tecladista, que falou sobre a letra da sua obra mais célebre.
"Eu sempre perguntava enquanto estávamos escrevendo em São Francisco: ‘E o refrão?’. E o Steve respondia: ‘Não, vamos esperar’. Na época, tudo fazia sentido para mim porque estávamos guardando o refrão no bolso.
É definitivamente uma forma diferente de música, o que a torna única. Na verdade, não tínhamos uma letra para os versos quando cheguei à casa dele [Steve]. Parecia Sunset Boulevard [localizada em Los Angeles] em 1972, e eu estava lá. Eu disse: ‘Veja, a música soa como Sunset Boulevard’, e ele respondeu: ‘Bem, conte-me sobre isso’.
Então, descrevi o grupo de pessoas que apareciam na sexta-feira à noite e passeavam pela Sunset Boulevard. Todos os sonhadores que sonhavam em se tornar atores. Produtores, artistas, advogados, qualquer coisa... todos eles estavam lá em uma sexta-feira à noite. Esses eram os estranhos que estavam ‘subindo e descendo o Boulevard’.
Foi uma bênção ele concordar comigo sobre o conceito da música. Então, essa letra entrou no disco", acrescentou Jonathan.
"Nós a ouvimos quando estava pronta e sabíamos que havia algo diferente nela. Foi por isso que decidimos usá-la como faixa de abertura do álbum ‘Escape’. Quando você coloca a agulha no disco, parece que está abrindo um livro. Com essa linha de piano, parece que um livro está se abrindo.
Esse sempre foi meu sonho: levar os fãs do Journey para uma música do Journey. Foi a primeira tentativa de trazer o público para o mundo da banda. Estamos cantando para vocês. Estamos cantando sobre o seu mundo agora. Portanto, foi uma mudança em relação ao que eles estavam fazendo antes", finalizou o tecladista, que não deixou de acreditar e escreveu um hit inesquecível.
Histórias de Músicas - Journey
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