As poucas bandas do rock nacional 1980 que Engenheiros do Hawaii costumava encontrar
Por Gustavo Maiato
Postado em 10 de abril de 2024
Nos anos 1980, o rock no Brasil se expandiu e bandas de cidades como Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília ganharam popularidade. No Rio Grande do Sul, os Engenheiros do Hawaii se tornaram uma força, mas talvez por sua condição geográfica, nunca se enturmou tanto com outros artistas.
Em entrevista a Gustavo Maiato, o ex-guitarrista da banda, Augusto Licks, deu seu ponto de vista sobre isso e comentou quais artistas ele e os Engenheiros costumavam encontrar na estrada.
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"Existia um auto-confinamento, que na minha opinião passava por um misto de insegurança pessoal, tentiva de se diferenciar, e falta de oportunidade. Que eu saiba, era raro o Humberto se comunicar pessoalmente com gente de outras bandas, a não ser pra alguma finalidade prática, participação em show ou gravação.
Já o Carlos Maltz transitava mais tranquilamente, conversar sempre foi uma qualidade dele, falava pessoalmente com o pessoal do Legião, por exemplo. Pra mim, o que sobrava era a tal da falta de oportunidade, sobrecarregado que sempre vivia tentando resolver as constantes encrencas de ser guitarrista num trio. E teve momentos esquisitos em que parecia existir algum "cuidado" pra não me facilitar contato com gente de fora.
Mesmo assim, tive alguns encontros esporádios em ambientes de estúdio com os Garotos da Rua, com o Lulu Santos quando comecei a usar o efeito harmonizer em 89, o Frejat que me deu algumas dicas técnicas de estrada, e certa vez mostrei meu violão pro Dado Villa-Lobos, ele chegou a gravar com ele num dos discos do Legião. E às vezes encontrava o Bruno do Bikini Cavadão em sessões do cinema São Luiz no Largo do Machado.
Antes, aqui no Rio, eu tinha conhecido o excelente guitarrista Torcuato Mariano que tocou com Lobão, e também o Marcus Lyrio dos "Inimigos do Rei", além de Luciano Alves, Tavinho Fialho e o batera Élcio Cáfaro, com quem tinha tocado em 86 na tournê de Kleiton & Kledir, além de outros conterrâneos gaúchos como o Carlos Martau da banda instrumental Cheiro de Vida.
Muitos anos depois da banda, tive um agradável encontro com o Herbert Vianna, que foi de muita gentileza e carinhosamente tirou fotos com minha filha. Mais recentemente conheci o Luiz Pissutto da ABQNE, o Zeca Baleiro, o barítono Leonardo Neiva, e o baixista Dudu Lima. Tem muita gente boa nesse mundo, o difícil é ter tempo e momento pra conseguir alimentar as amizades".
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