As exigências fora da casinha do lendário Prince para ser entrevistado por André Barcinski
Por Gustavo Maiato
Postado em 04 de junho de 2024
Em vídeo no seu canal no YouTube, André Barcinski contou como foi entrevistar a lenda da música Prince nos anos 1990. A história completa pode ser conferida no vídeo.
"O Prince tava numa fase muito, muito esquisita, sabe? Dois ou três anos antes ele tinha rompido um contrato milionário que ele tinha com a gravadora Warner e ele tava lançando um disco novo. Ele tinha mudado de nome, isso é uma coisa que as pessoas não lembram. O Prince, num determinado período da carreira dele, quis mudar de nome. Ele virou um símbolo, era um símbolo que misturava os símbolos masculino e feminino. Ninguém sabia direito como chamar o Prince, né? Era impronunciável.
Eu recebi um convite para entrevistar o Prince, era uma coisa raríssima. O Prince quase não dava entrevistas e as circunstâncias da entrevista foram as mais bizarras, as mais esquisitas que eu já experimentei. Primeiro, não tinha local marcado para a entrevista. A gravadora me deu uma esquina de Nova York onde eu deveria estar num determinado dia, determinado horário.
Ele achava que as pessoas queriam gravar a voz dele para samplear e usar em outras gravações, então ele não deixava você gravar a entrevista. Tinha um monte de coisas estranhas que o Prince estava fazendo. Ele não queria ser fotografado por paparazzi, então ninguém podia saber onde ele estava. Aí chegou um carro, me pegou, deu uma volta comigo no quarteirão. Olha que bizarro, parece cena de filme. Cena de filme, tipo, você vai encontrar um cara que está sendo procurado pela justiça, coisa assim, né?
E me deixou num prédio muito perto de onde eu tava, onde uma pessoa foi me receber na porta e me levou num elevador. Eu subi num andar que não sabia direito qual era e eu tinha recebido orientações da gravadora sobre a entrevista. Então, eu não deveria tocar em assuntos pessoais do Prince. Eu não podia anotar nem gravar nada, olha que loucura. Não podia levar nenhum papel, cara. Tinha que fazer a entrevista, voltar correndo para casa e fazer a entrevista toda de memória. Ele tinha alguma coisa com a gravação da voz dele que ele não permitia. Eu não sei também porque ele não permitiu que eu anotasse as coisas, mas eu tive que literalmente correr depois para casa, lembrando das perguntas para não perder as informações.
Tinha uma orientação muito bizarra que era assim: eu não deveria tocá-lo e eu tinha que me referir a ele como ‘o Artista’, ‘The Artist’. Então, eu não poderia falar ‘E aí, Prince, tudo bem?’ Eu tinha que falar ‘E aí, Artist, tudo bem?’ Eu não deveria apertar a mão dele porque ele não gostava de contato físico. Cara, parecia que você tava indo falar com uma criatura do espaço, sabe? Negócio bizarro. Eu entrei na sala, fiquei esperando um tempo e logo depois o Prince entrou para dar a entrevista. Ele estava vestido todo de verde, parecia o Peter Pan, com um sapato grande.
Era muito engraçado a maneira como ele estava vestido. E foi curioso porque ele me cumprimentou, me deu a mão e apertou a minha mão. Não sei se esses pedidos eram um exagero das produtoras, mas ele me pareceu muito mais normal na entrevista do que a preparação para a entrevista fazia parecer. Ele mesmo quebrou o protocolo, foi simpático, disse ‘E aí, tudo bem? Obrigado por estar aqui’".

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