Para Ace Frehley, o verdadeiro Kiss acabou nos anos 70, "assim que ficamos ricos"
Por André Garcia
Postado em 21 de agosto de 2024
Quando surgiu, o Kiss começou de baixo pelo underground de Nova Iorque. Sem gravadora ou um produtor para injetar dinheiro na banda, eles tinham que dar nó em pingo d'água para se promover e se destacar dos demais. Nessa época, Gene Simmons, Paul Stanley, Ace Frehley e Peter Criss eram unidos e caminhavam em direção a um mesmo sonho.
É claro que, como de costume, o um por todos e todos por um durou só até que o dinheiro e a fama entrassem na jogada. No podcast Guitar Tales, de Dave Cohen, Ace relembrou como eles eram próximos.
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"Criamos algo que vai durar até muito depois de estarmos todos mortos e enterrados. Tento deixar as coisas negativas de lado e me concentrar nas lembranças positivas [que tenho de meus dias de Kiss]. A gente se divertia muito, a gente era carne e unha. Fazíamos até reuniões semanais com a banda para desabafar sobre o que nos incomodava."
O Kiss fez sucesso comercial entre o "Alive!" (1975) e "Destroyer" (1976). A partir dali, Paul e Gene assumiram o papel de donos da banda enquanto Ace e Peter ficavam cada vez mais tratados como subalternos.
"Quando ficamos ricos, todos nós passamos a viver como milionários: cada um começou a ter seu próprio itinerário, cada um tinha sua própria limusine, seus próprios guarda-costas… Então, você sabe, nada é para sempre."
A postura individualista à qual Ace se referiu ficou escancarada em 1978, quando o Kiss passou por um breve hiato para que cada um de seus membros gravasse um álbum solo porque eles não se aguentavam mais. Dali em diante, eles amarguraram sua pior sequência de álbuns: "Unmasked" (1980) e "Music From the Elder" (1981) — Peter deixou a banda após o lançamento do primeiro e Ace partiu após o segundo (sua imagem na capa de "Creatures of the Night" (1982) foi uma mera formalidade contratual).
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