Dinho sobre 28 anos da morte de Renato Russo: "Noitadas só tinham graça com ele"
Por Gustavo Maiato
Postado em 11 de outubro de 2024
Dinho, vocalista da banda Capital Inicial, compartilhou uma homenagem em seu Instagram pelos 28 anos da morte de Renato Russo, vocalista da Legião Urbana. O músico faleceu no dia 11 de outubro de 1996 após lutar contra a Aids.
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Ele refletiu sobre o tempo que passou desde a perda, lembrando do choque e da tristeza que sentiu na ocasião. Dinho recordou o dia em que recebeu a notícia e imediatamente pegou um avião para o Rio de Janeiro, onde se reuniu com amigos, todos em estado de incredulidade.
Para ele, Renato sempre foi "o centro das atenções e a alma de todas as experiências". Desde a adolescência, Dinho viu em Renato uma figura iluminada, com "carisma, talento e conhecimento que o impressionaram profundamente". Ele destacou que "as noitadas, as conversas e os acampamentos só ganhavam vida quando Renato estava presente".
Musicalmente, Dinho descreveu Renato como "hipnótico, alguém que prendia a atenção de todos no palco". Ele enfatizou que, mesmo quando parecia que Renato havia alcançado o auge com suas canções, ele sempre surpreendia com "novas composições que superavam as expectativas".
Dinho também afirmou que Renato tinha "uma capacidade única de expressar em palavras sentimentos que muitos não conseguiam verbalizar". Para ele, a obra de Renato é tão vasta quanto o vazio deixado por sua partida, e a lembrança do músico continuará viva em seu coração.
Confira o texto na íntegra:
"Lá se vão 28 anos sem o Renato. Como é possível ter passado tanto tempo. Eu lembro como se fosse ontem o dia em que ele partiu. O choque. A surpresa. A tristeza. Peguei um avião e fui pra casa do Dado no Rio. Já havia um grupo de amigos lá. Todos muito abalados, custando a acreditar no que tinha acabado de acontecer. O Renato pra mim sempre foi o centro de gravidade de tudo que nós vivíamos.
Desde a nossa adolescência, aos meus olhos, ele era quase um iluminado. Dono de um carisma, talento e conhecimento que eu nunca tinha conhecido ou visto na minha vida. Era meio assim: qualquer noitada, conversa, acampamento só tinha graça quando ele tava presente. Musicalmente, ele era hipnótico—era impossível tirar os olhos dele. Quando você achava que ele já tinha composto canções insuperáveis, ele aparecia com várias outras melhores ainda. Quando eu tinha 16 ou 17 anos, não passava pela minha cabeça que dali a alguns poucos anos o país inteiro ia ficar igualmente em transe ao ouvi-lo.
Eu já disse várias vezes e repito aqui: nunca houve alguém como ele, e também suspeito que nunca haverá um músico com tamanha sensibilidade e capacidade de colocar em palavras o que todos nós sentimos, mas não conseguimos verbalizar. Ele era verdadeiramente abençoado e o vazio que ele deixou é do mesmo tamanho de sua obra. O Renato Russo para sempre viverá no meu coração."
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