A gambiarra que foi responsável pelo sucesso do Rush explodir no Brasil
Por Bruce William
Postado em 14 de dezembro de 2024
"Tom Sawyer" é considerada por muitos como a melhor música do melhor álbum do Rush, já que ela está no "Moving Pictures" de 1980, que muitos julgam ser o ápice da banda canadense. A música foi escrita pelo trio Geddy Lee, Neil Peart e Alex Lifeson, em colaboração com o letrista Pye Dubois, da banda Max Webster. Dubois também é co-autor de outras músicas do Rush, como "Force Ten", "Between Sun and Moon" e "Test for Echo".
Rush - Mais Novidades
Conforme o programa de rádio norte-americano "In the Studio with Redbeard", que dedicou um episódio à produção de "Moving Pictures", "Tom Sawyer" nasceu durante umas férias de ensaio que o Rush passou na fazenda de Ronnie Hawkins, nos arredores de Toronto. Peart recebeu um poema de Dubois intitulado "Louis the Lawyer" (frequentemente citado de forma incorreta como "Louis the Warrior"), que ele modificou e expandiu. Lee e Lifeson ajudaram a adaptar o poema à música [wikipedia].
"'Tom Sawyer' foi uma colaboração minha com Pye Dubois, um excelente letrista que escreveu as letras do Max Webster. A ideia original dele era um retrato de um rebelde moderno, um individualista de espírito livre caminhando pelo mundo com os olhos atentos e cheios de propósito. Eu adicionei os temas de conciliar o menino e o homem dentro de mim, além da diferença entre o que as pessoas são e como os outros as percebem - ou seja, eu, no caso", comentou o baterista Neil Peart.
Já o frontman Geddy Lee revelou que a banda não gostou dessa música, hoje clássica, quando a banda a gravou pela primeira vez: "Lembro de estar decepcionado no estúdio, achando que não havíamos capturado o espírito da canção. Na época, achávamos que era a pior música do álbum, mas tudo se encaixou na mixagem. Às vezes, você não tem a objetividade para perceber quando está fazendo seu melhor trabalho."
A importância de "Profissão Perigo", a "série do MacGyver", na popularização do Rush no Brasil
O sucesso da canção no Brasil foi imenso, mas ele contou com uma inesperada gambiarra: uma ajuda da poderosa Rede Globo. E isto aconteceu em meados dos anos oitenta, época em quem nem se sonhava com internet ou streamings, portanto a televisão era o principal meio de serem apresentadas novidades ao público. E foi quando estreou a série "Profissão: Perigo" [wikipedia].
MacGyver, nome original da série, marcou de forma profunda toda uma geração nos anos oitenta, tendo gerado uma grande base de fãs aqui no Brasil ao apresentar as aventuras do agente especialista em "gambiarras" que, com uma criatividade fora da casinha resolvia problemas complexos usando objetos simples e que estavam às mãos.
E falando em gambiarra, dentre as adaptações feitas pela emissora além do nome, algo comum naquele período, estava também a música de abertura original, que foi substituída por algo mais "pesado", "impactante" e com maior apelo comercial. Não se sabe quem teria feito a escolha, mas ela foi curiosa e também certeira, já que a Globo usou o instrumental de "Tom Sawyer", do Rush, como tema de abertura. Mesmo sem conexão direta entre a música e a trama, a energia da faixa casou como uma luva com o espírito aventureiro da série. Isso ajudou a tornar MacGyver um ícone dos anos 80 e ainda apresentou o Rush a muitos brasileiros, o que consolidou ainda mais a base de fãs da banda no país.
Em sua autobiografia, "My Effin' Life" (Amazon) Geddy Lee comenta: "Uma explicação para nosso 'sucesso secreto' no Brasil (e no Chile, por sinal) é a enorme indústria de discos piratas e falsificados na América do Sul; nossas vendas reais superaram em muito o que nossa gravadora registrava. Mas isso deve ter acontecido com quase todos os grandes artistas internacionais. A coisa mais curiosa, ao que parece, é que 'Profissão Perigo', a versão brasileira de MacGyver, usava trechos de 'Tom Sawyer' como tema de abertura; o programa era tão popular por lá que acabou impulsionando as vendas de 'Moving Pictures' e do restante do nosso catálogo de álbuns. Obrigado, MacGyver!"
A Veja conversou com Geddy e questionou sobre a citação no livro: "Foi muito engraçado porque eu não tinha ideia na época que a minha música estava sendo tocada para isso", respondeu Geddy. "Foi uma grande surpresa. Faz sentido, afinal, ele também é um tipo diferente de guerreiro da época moderna (trocadilho com a letra da música), certo? Obrigado MacGyver."
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O clássico do Metallica que James Hetfield considera "fraco": "Um enorme sinal de fraqueza"
Nicko McBrain fala sobre rumores de aposentadoria de Dave Murray
Música que dá nome ao documentário do Iron Maiden já foi considerada uma das piores da banda
Blaze Bayley escolhe o melhor disco do Metallica - mas joga sujo na resposta
O guitarrista que moldou o timbre do Metallica, segundo James Hetfield
Como a banda mais odiada do rock nacional literalmente salvou a MTV Brasil da falência
O vocalista com quem Slash disse que não trabalharia novamente: "Não tem como"
O "Big Four" das bandas de rock dos anos 1980, segundo a Loudwire
O dia que Mano Brown questionou o Shaman: "Legal, mas o que vocês reivindicam?"
Os álbuns do Rush que são os prediletos de Regis Tadeu
João Gordo explica o trabalho do Solidariedade Vegan: "Fazemos o que os cristãos deveriam fazer"
Como o Queen se virou nos trinta e ganhou o jogo que o AC/DC sequer tentaria, admite Angus
A banda que poderia ter chegado ao tamanho do Led Zeppelin, segundo Phil Collen
AC/DC - um show para os fãs que nunca tiveram chance



Alex Lifeson diz que Anika "virou a chave" nos ensaios do Rush; "No quinto dia, ela cravou"
Pacote VIP para show do Rush custa mais de 14 mil reais
Rush está ensaiando cerca de 40 músicas para sua próxima turnê
Geddy Lee comenta tour que Rush fará no Brasil em 2027
Família de Neil Peart apoia a turnê "Fifty Something", que marca o retorno do Rush
Confira os preços dos ingressos para shows do Rush no Brasil
Geddy Lee sobre os fãs do Rush; "um bando de garotos feiosos"
A incrível canção que serviu de inspiração para obras como "2112" do Rush


