Porque AC/DC batizou álbum como "Estrada Para o Inferno" com Angus usando chifres na capa
Por Bruce William
Postado em 11 de dezembro de 2024
No final dos anos sessenta surgiu um fenômeno peculiar envolvendo o Rock. A ideia que bandas como AC/DC, Led Zeppelin e até mesmo os Beatles estariam promovendo o satanismo parecia absurda, mas na época gerou um pânico real entre grupos religiosos e conservadores. As guitarras distorcidas e letras desafiadoras eram vistas como ferramentas do diabo para corromper os jovens. Apesar disso, essas alegações raramente tinham fundamento, e as "mensagens ocultas" eram mais fruto de paranoia do que de realidade.
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Houve quem realmente embarcou nesta causa, como o caso do Coven que lançou ainda em 1969 o lendário "Witchcraft Destroys Minds & Reaps Souls", álbum que trazia uma missa negra de fato no lado B do vinil, mas conforme explicou mais de uma vez a vocalista Jinx Dawson, tratava-se na verdade de um resgate do ocultismo praticado por ancestrais.
Mas nem todos acreditavam nisso. Ainda assim, houve quem usasse a controvérsia como parte de sua identidade. Que o diga Ronnie James Dio, que é considerada a pessoa que popularizou o chamado Sinal do Demônio: "Duvido muito que eu tenha sido o primeiro a fazer isso. É como dizer que eu inventei a roda. Tenho certeza de que alguém já tinha feito isso antes. Acho que você deveria dizer que eu o popularizei. Eu o usei tanto e tantas vezes que se tornou minha marca registrada, até que os fãs da Britney Spears quiseram fazer também... Então acho que com isso acabou perdendo o seu significado. Mas foi... eu estava no [Black] Sabbath nessa época. Era um símbolo que eu achava que refletia aquilo que a banda deveria representar."
E se há uma banda que nunca levou isso a sério - na verdade, há algo que eles levaram a sério? - é o AC/DC, que acabou usando esse pânico a seu favor, fazendo piada daqueles que achavam que uma guitarra distorcida é um prenúncio do fim do mundo. E um excelente exemplo disso é o álbum de 1979, "Highway To Hell", onde a banda canta sobre o caminho para o inferno, com direito a Angus Young na capa usando chifres do diabo.
"Isso foi a resposta que eu dei quando me perguntaram como chamaríamos uma de nossas turnês, e eu mandei: 'uma estada para o inferno!'. Foi uma piada!'", disse Angus entre risos ao ser questionado sobre a inspiração para o álbum e a capa, conforme resgate feito pela Far Out. "Quando chegamos à América, eu não sabia o que era um fundamentalista, e realmente não me importava. Todo esse papo satânico é coisa de grupos fingindo ser algo que combina com a imagem deles."
Angus disse ainda que ele não era religioso e muito menos acreditava no que a banda estava promovendo, mas se ele tivesse que escolher, preferiria ir para o inferno: "Se alguém falasse comigo em termos religiosos sobre o paraíso, eu não iria gostar de um lugar assim. Digo, o que acontece por lá? Eu não aguentaria! Um bando de anjos, muita paz e amor, isso não parece muito divertido, sequer teria rock para começar! Se o outro lugar tiver rock e algumas minissaias, então, ei, eu sou o primeiro da fila!'"
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