A música definitiva do Rush, de acordo com o guitarrista Alex Lifeson
Por Bruce William
Postado em 14 de janeiro de 2025
Em 1977, o Rush já havia conquistado seu espaço ao sol com seus quatro primeiros álbuns de estúdio e um disco ao vivo, mas ainda enfrentava desafios para alcançar o público mais amplo. "2112", o álbum que transformou sua carreira, era um trabalho conceitual com longas composições e complexidade instrumental, e seu sucesso deu ao grupo a confiança necessária para seguir explorando sua criatividade no próximo álbum.
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No trabalho seguinte, "A Farewell to Kings" (1977), o Rush buscou expandir sua sonoridade sem repetir o que já havia feito. Para isso, gravaram em um estúdio no País de Gales, longe das distrações de Toronto, onde costumavam trabalhar. Eles experimentaram novos instrumentos e criaram faixas que misturavam elementos progressivos com músicas mais diretas. O resultado mostrou uma banda em evolução, mantendo sua identidade, mas explorando novas possibilidades.
Uma de suas faixas, "Closer to the Heart", se destacou como o primeiro grande passo da banda em direção ao rádio e a um público mais mainstream. Ele contou para a Guitar World que a canção começou com um arranjo acústico que, posteriormente, evoluiu para uma poderosa canção de Rock. "A intro de 12 cordas passa a ilusão de ser uma peça acústica, mas então a seção rítmica entra e transforma a música em algo energético."
Escrita por Geddy Lee, Lifeson e Neil Peart, e letras feitas em parceria com Peter Talbot, a letra de "Closer to the Heart" sintetiza a necessidade de mudarmos o nosso comportamento para tratarmos as coisas com mais sentimento, "mais perto do coração". Autoridades, artistas, pessoas humildes... Para o compositor, passa pela mudança de mentalidade de todos nós a conquista de uma nova realidade, mais humanitária.
"Closer to the Heart" foi tocada ao vivo pela banda em todas as turnês desde seu lançamento até a Presto Tour, quando foi retirada do repertório. Posteriormente, retornou ao setlist nas três turnês seguintes (assim como em algumas datas durante a Vapor Trails Tour), mas foi novamente excluída nas duas turnês seguintes. A faixa voltou a ser incluída na Time Machine Tour, foi retirada na Clockwork Angels Tour e, finalmente, retornou na última turnê do Rush, a R40 Live Tour.
"Eu me lembro de quando tivemos que colocá-la de volta no setlist para os shows no Rio, devido à grande demanda para ouvi-la, já que havíamos parado de tocá-la por um tempo. Por algum motivo, essa música sempre ressoou com as pessoas, e foi um hit, na medida em que tivemos um. Ela nos colocou no rádio, no tipo de estação que normalmente nunca nos associaria, então foi o mais próximo que chegamos de uma música pop, especialmente naquela época.", disse Geddy.
Além de seu sucesso nas rádios, a faixa colocou em cheque os estereótipos sobre o Rush ser excessivamente técnico. Lifeson enfatizou que a música "mistura uma doce melodia com uma progressão dinâmica", o que torna acessível e virtuosa ao mesmo tempo, por isso ele afirma que esta é a música definitiva da banda. Até hoje, "Closer to the Heart" é celebrada como um marco na carreira do Rush, sendo um símbolo de sua capacidade de inovar sem perder a essência, fazendo algo mais simples, de bom gosto e com apuro técnico na dose certa.
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