Sepultura - Andreas Kisser opina sobre fãs chatos e que vivem no passado
Por Bruce William
Postado em 05 de fevereiro de 2025
Morre Phil Campbell, guitarrista que integrou o Motörhead por mais de 30 anos
Durante sua participação no podcast Corredor 5, apresentado por Clemente Magalhães, Andreas Kisser abordou a relação dos fãs com o passado das bandas e criticou aqueles que não aceitam mudanças na música. Segundo ele, muitos fãs de metal vivem presos a um ideal fixo de suas bandas favoritas, sem aproveitar o presente. "O objetivo é o agora. Tudo acontece agora. O que a gente sente - dor, vontade de ir no banheiro, sono - é tudo agora. Não é amanhã nem ontem, entendeu? É hoje", afirmou.
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Ao falar sobre o público do Sepultura, Kisser deixou claro que a banda não se limita a um único perfil de fã. "Cara, com todo respeito, o fã que se foda, mano! Porque, cara, qual que é o fã do Sepultura? Tem tia, tem gente que acompanha há 40 anos, gente que começou a ouvir ontem, tem cara que curte reggae, tem surfista, tem ator de TV. Não tem um estereótipo de fã do Sepultura. Como você vai fazer arte e música pensando no fã? Isso não é arte, isso é uma outra forma de escravidão", disparou.
Kisser destacou que o apego exagerado ao passado cria uma mentalidade restritiva. "O fã de heavy metal é muito chato, cara. É um dos caras mais chatos que tem, porque tá sempre comparando. 'Ah, o cara não fez aquela nota ao vivo, não sei o quê'. O fã de Sepultura nem tanto, mas o fã metal técnico está sempre preocupado com se vai tocar não sei o quê e esquece de curtir o momento, o show, está sempre preso no que foi no passado, no disco", criticou.
Ele argumentou que o álbum de estúdio não é um padrão imutável e definitivo. "O disco é só um registro de um momento, ele não é a verdade definitiva. Ele é um registro de um momento, daquele presente. E porra, as músicas evoluem. Vê o Bob Dylan fazendo um show, por exemplo. O cara toca o que ele quiser, no arranjo que ele quiser. Não é porque foi gravado em 1968 que ele vai fazer igual. É o presente, é respeitar o presente", explicou.
Andreas reforçou que muitos fãs criam expectativas que distorcem suas próprias experiências. "Muito fã sai com o nariz torto porque está esperando aquilo que ele criou do passado dele. 'Ah, eu quero ouvir aquilo'. Mas você não quer nada, cara! O Bob Dylan, quando você ouviu pela primeira vez, você nem sabia que ele existia, mudou sua vida. Hoje você está no show porque aquilo mudou sua vida. Então deixa o Bob Dylan mudar sua vida de novo hoje. Não cria expectativa. Vive o momento. Se você não gostar, é outra coisa", concluiu.
O vídeo completo com a participação de Andreas Kisser no Corredor 5 pode ser conferido no player abaixo.
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