Os megahits de Engenheiros do Hawaii e Ira! que chefão da Warner odiava as letras
Por Gustavo Maiato
Postado em 03 de fevereiro de 2025
As bandas Engenheiros do Hawaii e Ira! marcaram a história do rock nacional, mas nem sempre tiveram o apoio da indústria fonográfica. André Midani, então chefão da Warner Music, chegou a criticar as letras de alguns dos maiores sucessos dos grupos. A história foi resgatada pelo canal de Júlio Ettore, que revela bastidores curiosos do rock brasileiro.
"Oi, mãe, eu tenho uma guitarra elétrica"
Os Engenheiros do Hawaii já eram conhecidos por sucessos como "Infinita Highway" e "Toda Forma de Poder", mas uma música em particular irritou Midani. "Tem uma música dos Engenheiros que fala assim: ‘Oi, mãe, eu tenho uma guitarra elétrica’. Desde quando um roqueiro vai falar com a mãe? ‘Oi, mãe’! Muito legal, né?", ironizou o executivo, segundo Júlio Ettore. A referência era à faixa "Terra de Gigantes", do álbum "A Revolta dos Dândis" (1987).
Midani acreditava que a letra soava ingênua e não combinava com a atitude roqueira que ele esperava de uma banda do gênero. No entanto, a música seguiu no repertório dos Engenheiros e se tornou uma das favoritas dos fãs.
"Ninguém precisa da guerra"
Outra banda que enfrentou resistência foi o Ira! durante o lançamento de seu primeiro disco, "Mudança de Comportamento" (1985). Midani ficou insatisfeito com a faixa "Ninguém Precisa da Guerra" e deixou isso claro em uma reunião com os músicos.

"Como vocês querem que toque? Tem uma música chamada ‘Ninguém Precisa da Guerra’... Não tem guerra no Brasil! Não preciso da guerra!", disse o executivo, conforme relato no vídeo de Júlio Ettore. Midani achava que a letra não fazia sentido para o público brasileiro e que a banda precisava de algo mais direto para tocar nas rádios.
O sucesso e os bastidores turbulentos
Apesar das críticas da gravadora, os dois grupos conquistaram o público e construíram carreiras de grande sucesso. No caso do Ira!, o estouro veio com "Núcleo Base", que garantiu espaço para a banda na cena nacional.
Mas a trajetória do Ira! também foi marcada por conflitos internos e episódios polêmicos. No vídeo, Júlio Ettore detalha um episódio envolvendo Nasi e Pepe Escobar, crítico da Folha de S.Paulo. Após uma matéria polêmica que insinuava uma ligação do nome do vocalista com o nazismo, Nasi e outros músicos foram até a sede do jornal para tirar satisfação. A situação ficou tensa, e o vocalista quase partiu para a agressão física.
Além disso, o baixista Gaspa enfrentou problemas com drogas e teve dois surtos por uso excessivo de substâncias. Em uma turnê, chegou a cuspir no pé de Nasi durante uma entrevista, quase gerando uma briga entre os dois. A reabilitação veio com a ajuda da esposa, Rita Locatelli, que trabalhava para uma confecção de roupas que vestia bandas da cena, incluindo os Titãs.
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