O maranhense que gerou um dos primeiros grandes clássicos do rock nacional dos anos 1980
Por Gustavo Maiato
Postado em 27 de março de 2025
A discussão sobre qual a primeira banda que despontou no rock nacional dos anos 1980 é longa. Pouca gente discorda, entretanto, que um dos primeiros grandes sucessos dessa época foi o clássico "Vital e Sua Moto", presente no disco "Cinema Mudo", que marcou a estreia dos Paralamas do Sucesso.
Paralamas Do Sucesso - + Novidades
Em vídeo no seu canal, o jornalista Júlio Ettore contou a história dessa canção, inspirada no baterista Vital Dias, maranhense que não durou muito nos Paralamas, mas acabou gerando indiretamente o hit que consagrou o início da trajetória do grupo. O músico morreu em 2015 em decorrência de um câncer.
"Ele deu duas grandes contribuições: a primeira foi sair da banda, abrindo caminho para a entrada de João Barone. A segunda foi emprestar seu nome — e sua moto — para que o Brasil inteiro conhecesse aquele trio, mesmo que muita gente achasse que era só uma cópia de banda inglesa", disse.
O começo dos Paralamas do Sucesso
Para contar a história de Vital, o youtuber se debruçou sobre as fases da história dos Paralamas do Sucesso até o sucesso. "O surgimento dos Paralamas teve fases: uma em Brasília e duas no Rio. No início, Herbert Vianna conheceu Bi Ribeiro em Brasília. Herbert era filho do brigadeiro Hermano Vianna, que foi piloto da Presidência da República. Começou a tocar cedo. Já o Bi era filho de diplomatas e, apesar de não tocar nada, era apaixonado por música".
Ele continua: "Eles se conheciam da Superquadra em Brasília, onde moravam por causa dos cargos dos pais. Bi andava com a galera dos filhos de diplomatas — Dado Villa-Lobos, irmãos Ouro Preto — e acabou colando no Herbert. Em 1977, com 16 anos, Herbert se mudou pro Rio pra estudar no Colégio Militar. Mais tarde, Bi foi visitá-lo e ouviu: ‘Compra um baixo e vem tocar comigo’. Bi topou. Foi mochilar na Europa, comprou um baixo na Inglaterra e, em 1978, se mudou pro Rio pra morar com a avó. Foi estudar no mesmo colégio do Herbert, o Bahiense".
Foi nesse colégio que Vital e Herbert se aproximaram e logo surgiu a ideia de montar uma banda, mas no começo não deu muito certo. "A ideia era formar uma banda com ele na bateria. Mas aí veio o vestibular. Os três passaram: Vital para engenharia no CEFET, Herbert para arquitetura na UFRJ e Bi para zootecnia na Rural, em Seropédica. Em 1980, cada um seguiu seu rumo. Meses depois, Bi foi buscar seu baixo na casa do Herbert. Eles voltaram a tocar, mas faltava um baterista. Não conheciam ninguém. Um dia, assistindo a um show no Parque da Catacumba, na zona sul do Rio, quem eles encontram? Vital Dias."
A moto de Vital
A história continua com Vital Dias integrando os Paralamas por um período. Ele comprou a moto que batizaria a faixa depois. "Por volta de 1981, Herbert tinha um Fusca vermelho, Bi uma Variant azul, e ninguém da turma tinha moto. Começaram as conversas do tipo: ‘E aí, quem vai ser o primeiro a ter uma moto?’ Vital contou isso numa biografia e ainda explicou trechos da letra da música. Ele juntou uma grana e comprou uma Honda FS 125. Sobre o trecho 'o conselho de seu pai, perigoso Vital', ele explicou que isso foi invenção do Herbert pra dramatizar a história — porque, na verdade, o pai dele até ajudou com a grana pra comprar a moto."
O fim da primeira formação dos Paralamas do Sucesso
Como a história conta, os Paralamas do Sucesso seguiram depois com o baterista João Barone. Ettore conta como foi essa transição: "A formação com Herbert, Bi e Vital acabou em 1982, quando João Barone entrou na história. Eles tinham se inscrito num festival na Rural com uma fita de áudio de qualidade ruim e foram desclassificados. Mesmo assim, Bi convenceu a organização a deixá-los tocar no intervalo. Ninguém sabia onde ele estava. Procuraram o Vital por três horas, até que um amigo indicou um baterista que estava assistindo ao festival: João Barone, um aluno de pré-vestibular. Mesmo sem ensaio, ele tocou com os caras. Rolou uma química absurda. A partir daí, Vital foi se afastando da banda para trabalhar, e Barone assumiu a bateria.
A composição de "Vital e Sua Moto"
Ettore explica que os Paralamas compuseram o hit após a saída de Vital, mas mostraram para ele o resultado: "No início, o Herbert escrevia paródias, músicas de humor. Com a nova formação ganhando força e fazendo os primeiros shows, ele começou a escrever com mais seriedade. Um dia, lembrou do Vital e da moto, e escreveu uma historinha sobre um garoto que queria ter uma moto, mesmo sem a aprovação do pai. Quando a música ficou pronta, Herbert ligou pra ele para mostrar. Nos shows, a resposta do público foi ótima. E assim nasceu um dos maiores clássicos do rock nacional".
Confira o vídeo completo abaixo.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Com mais de 140 shows, festival Welcome to Rockville anuncia atrações para 2027
O plano de Nicko McBrain para voltar ao estúdio no próximo álbum do Iron Maiden
Os 50 artistas de rock e metal mais ouvidos de todos os tempos no Spotify
Shows do Social Distortion no Brasil são adiados para 2027
A música do Lynyrd Skynyrd que Dave Mustaine colocou no Metallica sem Lars Ulrich perceber
Aerosmith realiza primeiro dos dois shows comemorativos; veja setlist e convidados
Edu Falaschi retoma "Mi'raj & The Legacy Tour" e lança vídeo com os bastidores de clipe
Dark Dimensions Festival anuncia primeiras bandas
A cirurgia que membros do Metallica, Slayer e Megadeth precisaram fazer, diz Hetfield
O que Nicko McBrain pensava ao ver Bruce Dickinson no palco antes da saída
A canção que mudou a vida de Jimi Hendrix e completou 60 anos de gravação
O único membro do Metallica que saiu por conta própria, segundo Lars Ulrich
Korzus lança single/videoclipe "Blind Deaf Mute"
Os dois guitarristas que Kerry King nunca conheceu após décadas no Slayer
Zacky Vengeance (Avenged Sevenfold) defende sua preferência por trabalhar com IA

Baterista do Linkin Park tenta tocar Paralamas e é detonado: "João Barone dá de mil nele"
O álbum que fracassou no Brasil e virou hit na América Latina com outro nome
O dia em que Herbert Vianna aceitou cantar na música que o acusava de ter se vendido
5 clássicos do rock nacional que não seriam lançados hoje
O compositor dos anos 80 que Paulo Ricardo coloca acima de Cazuza e Renato Russo


