Kip Winger relembra colega de geração que foi consumido pelo álcool
Por João Renato Alves
Postado em 22 de março de 2025
Em entrevista ao podcast Scars and Guitars, Kip Winger foi questionado sobre o que fez para se manter afastado dos vícios que se tornaram um estigma da geração do hard rock oitentista, da qual fez parte com a banda que leva seu sobrenome. Disse o baixista e vocalista, de acordo com transcrição do Blabbermouth:
"Em primeiro lugar, o álcool me deixava fisicamente doente. Minha avó era alcoólatra, beber não só me deixava doente, mas eu também ganhava de qualquer um na disputa. Então, não era uma coisa boa estar por perto. Se bebesse uma garrafa de vinho, entrava no carro para ir buscar a segunda. Quando me mudei para Nashville, era como um distintivo de honra dirigir bêbado. Um dia simplesmente larguei a garrafa e disse: 'Não vou fazer isso de novo.' Porque estava começando a estragar minha voz. Nunca fui alcoólatra. Só bebia quando não tocava por causa da minha voz."

Como exemplo, foi citado um contemporâneo que não conseguiu vencer a dependência: Jani Lane, ex-vocalista do Warrant, falecido em 2011. "Ele era o cara mais legal do mundo quando não estava bêbado. Não quero dizer que tinha uma fraqueza, pois pode parecer cruel. Mas é difícil de lidar quando você tem uma propensão. Vince Neil, do Mötley Crüe, é a mesma coisa. A pessoa mais agradável sóbrio, o maior filho da puta chapado."
Para Winger, a postura que era cobrada dos músicos acabou cobrando um preço alto para muitos. "Eram muitos clichês, tipo o Guns N' Roses sempre andando com a garrafa de Jack e toda essa besteira. Muitas pessoas seguiram o exemplo. Isso nunca foi minha praia, eu queria ser um músico melhor. Nunca participei disso. Todas essas autobiografias, tipo, 'É, cara, eu tive uma overdose naquela noite e eles me levaram para o hospital e havia 10.000 pessoas...' Só penso, 'Quer saber? Você teve uma overdose de drogas porque é estúpido. Você usou drogas porque é estúpido.'"
Sem aliviar a barra, o artista mencionou uma turnê dos tempos que fazia parte da banda de Alice Cooper. "Alice recém havia saído da reabilitação. Nunca vi droga em nenhuma das turnês em que estive com ele, exceto uma vez. Quando excursionamos com Poison e Faster Pussycat havia o que apelidamos de 'Evil Bus'. Eles ficavam tomando absinto e consumindo cocaína. Se você quisesse enlouquecer, iria para lá. Era o único lugar. E Deus abençoe Taime Downe. Ele está sóbrio agora, e eu sinto muito pela namorada dele recentemente falecida e outras coisas. Ele é um cara maravilhoso. Mas todos nós superamos essas coisas, espero, depois de um tempo. Jani nunca superou e bebeu até a morte em um quarto de hotel."
Voltando a falar do frontman do Warrant, Kip destacou: "Jani nunca superou o fato de ter escrito ‘Cherry Pie’. Ele sentia que a música havia o deslegitimado como artista. Todos nós temos uma canção do tipo. De minha parte, só consigo pensar ‘Certo, mas ela te permitiu fazer todo o resto, então, e daí?’"
Questionado se chegou a ter a oportunidade de conversar com Jani sobre o vício, Winger disse: "Fizemos uma turnê acústica uma vez. Estávamos todos em um ônibus e ele estava sendo um babaca. Insultou-me de uma forma que estava além do aceitável. Então, nós realmente o expulsamos do ônibus.
Em um ponto, ele levou seu pastor junto para tentar mantê-lo na linha. Então, se voltou para a religião e estava tentando fazer todas essas coisas. Meu pai era pastor, assim como todos os meus tios e avós. Um dia, meu pai deixou a igreja e não fomos mais religiosos. Eu não sou uma pessoa religiosa praticante. Acredito apenas que o universo tem mistérios que nenhum de nós jamais poderia responder nesta vida. Eu poderia falar com você sobre isso por horas, mas eu não sou um cara religioso.
Mas quando ele começou a pregar todas essas coisas para mim, depois de seus insultos profundos e cortantes, eu só pensava, 'Cai fora, cara.' E nós realmente o expulsamos do ônibus. Mas isso não quer dizer que ele não poderia ter sido salvo — não religiosamente falando, mas caso tivesse ficado sóbrio e limpo. Porque eu conheço muitos caras que passaram pela coisa do AA, e estão bem.
Olhe para os caras do Guns N’ Roses. Eles eram famosos por estarem bêbados sem parar. Quando eu andava com Duff (McKagan, baixista) nos anos 1980, ele nunca estava sóbrio. Aí está alguém que se recompôs. Ele voltou para a faculdade e conseguiu sua faixa preta em kickboxing. Ele matou o dragão mais do que qualquer pessoa que eu já conheci."
No momento, o Winger realiza sua turnê de despedida, contando com os cinco integrantes que passaram pela banda durante sua existência. Ainda não há data especificada para o último show. "Seven", álbum mais recente do grupo – e provavelmente o derradeiro – saiu em 2023.
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