A banda que era satânica demais para excursionar com o Black Sabbath nos anos setenta
Por Bruce William
Postado em 02 de março de 2025
Quando o heavy metal surgiu no começo dos anos 1970, a reação inicial de muitos foi o medo. Músicas pesadas, cheias de riffs sombrios e letras que fugiam dos padrões radiofônicos da época fizeram com que bandas como o Black Sabbath fossem rotuladas como satânicas quase automaticamente. Mas, se havia um limite para esse tipo de associação, o próprio Sabbath parecia não querer ultrapassá-lo.
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A banda de Birmingham ganhou a fama de ocultista de maneira quase acidental. A capa sombria do disco de estreia já gerava especulações, e a música "N.I.B." foi erroneamente interpretada como uma sigla para Nativity in Black. Apesar disso, Tony Iommi sempre usou uma cruz no pescoço, e Geezer Butler escreveu letras como "After Forever", que se aproximam mais do cristianismo do que do satanismo. Ainda assim, o nome "Black Sabbath" e a sonoridade carregada fizeram com que fossem ligados ao ocultismo por boa parte do público.
Nesse cenário, uma parceria com a banda Black Widow parecia algo natural. Diferente do Sabbath, que apenas brincava com a estética obscura, o Black Widow realmente levava o tema a sério. Suas músicas traziam referências explícitas a rituais e invocações, e o álbum "Sacrifice" contava com elementos que iam além da simples teatralidade. O Black Widow parecia mais próximo de bandas como Coven, que realmente praticava ocultismo e chocava a imprensa com rituais no palco.
Nenhuma dessas bandas, no entanto, possuía o peso das composições do Black Sabbath. A semelhança estava apenas na temática oculta, pois musicalmente, Black Widow e Coven seguiam um caminho mais voltado ao rock psicodélico e progressivo. A intensidade sombria do Sabbath vinha de sua sonoridade única, repleta de riffs arrastados e uma atmosfera densa, algo que seus supostos contemporâneos ocultistas não conseguiram igualar.
A ideia de levar o Black Widow em turnê com o Sabbath surgiu, mas logo foi descartada, relata a Far Out Magazine. Segundo os próprios membros da banda, a recusa veio dos empresários do Black Sabbath, que não queriam qualquer associação direta com rituais satânicos. Além disso, o clima nos Estados Unidos não era favorável após os assassinatos cometidos pela seita de Charles Manson. "Nunca conseguimos ir para os Estados Unidos porque fomos banidos de lá depois dos assassinatos do Manson. Achavam que nos mandar para lá tão cedo não seria uma boa ideia, então enviaram o Black Sabbath, que negava qualquer ligação com magia negra", revela a banda em uma longa e intessantíssima matéria publicada há alguns anos pela It's Psychedelic Baby Magazine.
Se por um lado o Black Widow tinha uma relação mais concreta com o ocultismo, outras bandas apenas usavam o nome como um chamariz, sem qualquer envolvimento real com o tema. O Lucifer's Friend, por exemplo, adotou uma identidade sombria, mas suas letras e postura nunca foram além da imagem provocativa. No fim, o próprio Sabbath sabia que sua ligação com o satanismo era uma criação externa e queria evitar associações que pudessem tornar a coisa mais séria do que realmente era.
Ainda assim, é interessante imaginar o que teria acontecido se o Black Widow tivesse conseguido se estabelecer nos EUA. Se bandas como Alice Cooper e Screamin' Jay Hawkins usaram o choque e o horror para criar um estilo teatral único, talvez o Black Widow tivesse encontrado um público disposto a abraçar suas temáticas sem restrições. Mas, ao contrário do Sabbath, que apenas flertava com o obscuro, o Black Widow preferiu seguir um caminho mais autêntico – e, ironicamente, esse pode ter sido o motivo pelo qual nunca atingiu o mesmo sucesso.
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