Lucifer's Friend: nunca tivemos problema com esse nome, diz John Lawton

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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Quer você goste mais de Heavy Metal, Hard Rock ou até mesmo música gospel, o nome JOHN LAWTON certamente lhe trará à memória boas canções. O cantor inglês de 71 anos que ficou mais conhecido a nível mundial pelo período em que foi vocalista do URIAH HEEP, também fez parte de um dos grupos considerados pioneiros do Heavy Metal, inspiração para bandas como SCORPIONS e ACCEPT, a LUCIFER'S FRIEND. Em 2015, Lawton reuniu-se com com o guitarrista Peter Hesslein e o baixista Dieter Horns, também membros originais da LUCIFER'S, além de chamar Jogi Wichmann para os teclados e Stephan Eggert para a bateria. Como uma banda reformada, o quinteto apresentou-se no Sweden Rock Festival e lançou um álbum ao vivo com essa apresentação no ano seguinte. Agora, finalmente, depois de 25 anos sem um álbum completo de inéditas, a banda lançou "Too Late To Hate", que sai em 12 de setembro no Brasil pela Hellion Records. Conversei com a enciclopédia musical que é John Lawton sobre o álbum, mas também sobre vários outros assuntos, entre os quais os primeiros anos na Alemanha, o trabalho na Bulgária, sobre sua relação com o Brasil (o músico já se apresentou em algumas cidades brasileiras, inclusive Fortaleza, e é vocalista de um projeto brasileiro chamado OTR - ON THE ROCKS) e um pouco sobre o HEEP e as convenções de fãs. A entrevista você confere na íntegra logo abaixo. As fotos são do site do próprio artista.

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Daniel Tavares: Primeiro vamos falar sobre seu último álbum, "Too Late to Hate". Como você tem visto a recepção a este álbum? Você acha que, depois de 22 anos sem um novo álbum do LUCIFER'S FRIEND, o "To Late to Hate" é tudo por que seus fãs têm esperado? E, por outro lado, eles o receberam como vocês próprios estavam esperando?

John Lawton : Sim, eu acho que foi bem recebido. Primeiramente porque é o primeiro álbum verdadeiramente de estúdio por tantos anos e também porque as canções novas mais uma vez diferentes dos álbuns anteriores. As resenhas da imprensa musical têm sido muito boas e o feedback dos fãs tem sido excelente... e nós estamos muito felizes com o produto final.

Daniel Tavares: Qual é o conceito da arte da capa? O que vocês querem dizer com aquele personagem azul e gelado e tudo aquilo?

John Lawton :Não há nada intencional aqui. O personagem era, na verdade, algo que o Peter Hesslein tinha criado e nós gostamos da ideia, então, com um pouco de refinamento, nós apostamos nele....

Daniel Tavares: A LUCIFER'S FRIEND sempre trouxe novos elementos a cada álbum. Eu notei um pouco de rap em "Demolition Man", a primeira faixa deste álbum. É verdade ou estou errado? Foi intencional?

John Lawton :Bem, não é realmente rap J Eu quero dizer, não estou usando linguagem ruim J...era parte de uma canção que eu senti que poderia ser um pouco diferente da coisa "estrofe/refrão", então eu compus aquela parte nela e eu acho que funcionou muito bem......

Daniel Tavares: Como você se sente ao se reunir com Peter Hesslein e Dieter Horns outra vez?

John Lawton :Sim, um bom sentimento. Nós sempre estivemos em contato tanto como amigos quanto como músicos e eles são ótimos caras com quem trabalhar. Foi uma pena que não tenhamos conseguido persuadir o Peter Hecht, nosso tecladista original, a voltar para a banda. Ele decidiu que queria manter a "vida calma" que estava vivendo na Suécia.

Daniel Tavares: E você disse que já está trabalhando em um álbum novo, certo? Como está indo esse trabalho? Quais são os seus planos para o futuro próximo?

John Lawton :Sim, nós estamos. Eu terminei as faixas vocais. E as baterias e teclados também estão completas. Tão logo nós tenhamos as faixas de baixo, ele vai pra Nova York para a mixagem. Mais uma vez é um pouco diferente e tem algumas surpresas. E agora eu estou muito feliz em como ele está indo.

Daniel Tavares: De volta a "To Late to Hate", existe uma canção, "When Children Cry". Ela é uma reação a todas essas coisas loucas que tem acontecido no mundo, a guerra na Síria, a crise dos refugiados, o terrorismo, etc.?

John Lawton :Eu acho que a maioria das pessoas ao redor do mundo ficaram horrorizadas com o que viram nas notícias vindas da Síria na TV e isso inclui a mim. Fiquei tão tocado com a crueldade que a humanidade é capaz de fazer uns com os outros que eu tive que colocar meus sentimentos no papel. E tendo eu meus próprios netinhos pequenos, eu pude realmente me conectar com esse horror....

Daniel Tavares: Você é um inglês que construiu uma história na Alemanha. E agora você também tem construído uma história na Bulgária, apresentando alguns programas de TV. Você gostaria de falar sobre isso? Como foi o convite para fazer um programa de TV? E como você se sente com esta nova, digamos, carreira?

John Lawton :Bem, em primeiro lugar, não é realmente um programa de TV. Eu filmo e dirijo documentários de viagem sobre a Bulgária. Eles são exibidos todo domingo na TV de lá e são muito bem recebidos. A música de fundo é da OTR.. [N.T. Banda em que Lawton participa com alguns brasileiros. Saiba mais ao longo desta matéria] Eu tenho trabalhado na Bulgária pelos últimos dez anos, assim como no resto da Europa, fazendo concertos e especialmente um festival chamado July Morning. O 1º de julho é muito especial para o povo búlgaro, porque é uma celebração de sua libertação do comunismo. A primeira canção, às 5:30 da manhã, enquanto o sol nasce, é a canção "July Morning", do URIAH HEEP.

Daniel Tavares: E você disse que foi listado como coautor de algumas canções do ASTHERIX [N.R. banda de formação ainda completamente alemã que viria a se tornar a LUCIFER'S FRIEND após a entrada de Lawton em definitivo], a banda pre-LUCIFER'S FRIEND, mas você só corrigiu as letras em inglês. Há algo que você se lembre e possa nos contar? Que fatos engraçados você recorda nos seus primeiros anos na Alemanha por causa de problemas com o idioma?

John Lawton :Sim, eu fui listado como coautor, que foi algo que eles queriam por eu ter corrigido a maior parte das letras. A questão da linguagem não foi realmente um grande problema pela maioria dos caras falar inglês, exceto o baterista Addi (que morreu tão cedo). Ele tinha problemas com o inglês e naquela época meu alemão não era tão bom, então eu acabei falando algumas palavras muito rudes que ele me ensinou e, claro, eu entrei em confusão algumas vezes em restaurantes na hora de fazer os pedidos. E, claro, eles acharam isso hilário... mas, muito rudes para mencionar aqui J

Daniel Tavares: Vocês apareceram como banda com o nome definitivo apenas um pouco depois da controvérsia do Lennon com sua frase "mais populares que Jesus". Vocês temeram não ser aceitos pelas plateias com um nome como esses?

John Lawton :Não, não mesmo. Tinha tudo a ver com a música... Sim, houve alguns comentários sobre isso na imprensa, mas a música estava muito acima de qualquer controvérsia com o nome...

Daniel Tavares: Apesar do nome, não há muito luciferianismo, satanismo ou ocultismo em sua música. E você fazia (ou tinha feito) parte do coral gospel LES HUMPRIES SINGERS. Então, o que os fez escolher esse nome?

John Lawton :O nome já tinha sido escolhido quando eu me juntei à banda. Os caras tinham escrito uma música chamada "Lucifer's Friend" e decidiram chamar a banda assim. Eu era o novato e não tinha nenhum problema com o nome. Eu me juntei ao LES HUMPHRIES SINGERS depois de gravar o primeiro álbum do LUCIFER'S FRIEND.

Daniel Tavares: Sobre influências, além dos nomes mais óbvios, como BLACK SABBATH, DEEP PURPLE e LED ZEPPELIN, vocês também são lembrados como pioneiros do Heavy Metal. Você considera isto uma sentença verdadeira? Como você se sente em relação a isto?

John Lawton :Eu acho que naquela época, especialmente na Alemanha, ninguém estava pegando tão pesado nas composições e gravações. Se nós fomos pioneiros, então, ótimo, mas naquele tempo nós nunca pensamos em coisas como essa, nós apenas nos gostávamos do que nós estávamos fazendo.....

Daniel Tavares: Também se diz que vocês influenciaram toda uma cena alemã, sendo inspiração para bandas como ACCEPT e SCORPIONS (apesar destes últimos terem se formado antes do LF, mas só gravaram seu primeiro álbum apenas em 1972). Você considera que bandas como vocês e as bandas krautrock, como o CAN, abriram as portas do mundo para todas as outras bandas que vieram da Alemanha depois?

John Lawton :É realmente difícil de dizer o que poderia ter acontecido. O primeiro álbum "Lucifer's Friend" teve um tanto de status de cult nos EUA. E o segundo álbum, "Where The Groupies Killed The Blues", também teve ótimas resenhas nos Estados Unidos, mas nem tanto na Europa. Foi com nosso terceiro álbum, "Rock n Roll Singer", que entramos nas listas da Billboard e começamos a fazer um bom barulho...tanto que o Miles Copeland (que depois gerenciou o "The Police") veio para Hamburgo para conversar conosco. Infelizmente, nossa gravadora não o apoiaria, então ele decidiu que sem a ajuda deles ele não poderia ficar com a gente....que pena L

Daniel Tavares: Você acha que alguma dessas bandas teria tanto sucesso se elas cantassem em alemão ao invés de inglês? E quanto ao RAMMSTEIN?

John Lawton :O inglês será sempre a língua internacional do rock...Há uma boa quantidade de bandas de rock hoje em dia que cantam em seus idiomas nativos e às vezes isso dá certo, às vezes não....

Daniel Tavares: Ainda sobre influências, o Mikael Akerfeldt, líder da aclamada banda sueca de metal progressivo OPETH, recentemente citou o "Where the Groupies Killed the Blues" como um dos seus dez álbuns favoritos. O que você sabe do OPETH e o que gostaria de dizer para o Mikael?

John Lawton : Eu li este artigo e é muito bom ler e eu agradeço a ele pela sua opinião. "Where The Groupies" é um álbum muito diferente de muitas formas mas foi uma alegria fazer parte dele. Não é o favorito de todos os fãs, uma vez que muitos deles não gostam muito das letras, especialmente aquelas escritas pelo John 'OBrian Docker J e algumas das mudanças de tempo deixam um pouco de confusão, mas eu adoro ele...Infelizmente, eu não sei muito sobre o OPETH, mas eu o agradeço pela escolha...

Daniel Tavares: Você também foi o frontman do URIAH HEEP efetivamente por alguns anos e depois em mais algumas outras oportunidades. E também é uma presença constante nas convenções do URIAH HEEP. O quanto você gosta destes eventos e como você os compara com outros tipos de convenções de fãs, como, por exemplo, convenções de Star Trek, comic cons, etc.?

John Lawton :Bem, o URIAH HEEP é uma grande parte da minha vida, claro, e abriu muitas portas para mim, algo porque sou grato. Eu sempre gosto de manter contato com os fãs afinal. Sem eles nenhuma banda teria sucesso. Os fãs da HEEP são especiais e se tornaram amigos ao longo dos anos. Eu sempre tento ir quando possível. É como devolver alguma coisa aos fãs, dar um retorno, o que eu gosto muito.

Daniel Tavares: Você já esteve no Brasil, mas, nunca como LUCIFER'S FRIEND. Nós soubemos que viriam em agosto, mas parece que isso não vai mais ocorrer. Então, quais são os planos para uma turnê sul-americana, incluindo o Brasil, claro?

John Lawton :Houve alguma discussão, mas nada confirmado ainda. Nós adoraríamos chegar aí e fazer alguns shows, mas precisamos de um produtor que seja capaz de enxergar a coisa toda e fazer acontecer...

Daniel Tavares: E sobre as vezes que você esteve aqui, o que você mais gosta no Brasil? E que lembranças você teve de Fortaleza, a cidade em que eu moro e onde você já se apresentou (em 2009, eu acredito)?

John Lawton :Sim, eu adorei estar no Brasil. Os fãs que eu encontrei foram realmente excepcionais e, claro, a pergunta sempre foi "quando a LUCIFER'S vai vir aqui?". Sim, eu lembro de Fortaleza... ela era muito quente J e nós ficamos em uma casa perto do mar. Se eu me lembro bem, nós tocamos em uma espécie de clube com um grande palco. O problema em fazer turnês curtas é que você nunca consegue ver muito de um país, como eu gostaria de ver mais do Brasil...

Daniel Tavares: Existe uma pergunta que eu sempre faço para todos os meus entrevistados. Existe algum artista brasileiro ou banda (além do OTR - de quem falaremos mais na próxima pergunta) que você goste, que você escute na sua casa ou mesmo que tenha tido alguma influência no seu som?

John Lawton :Eu gostaria de dizer que sim, mas eu realmente não posso L...o Jan [N.R. Dumee, ex-guitarrista do FOCUS] me deu alguns CDs de bandas e cantores brasileiros, o que eu gostei, especialmente dos ritmos. É obviamente um buraco na minha educação musical e algo que eu realmente deveria corrigir.

Daniel Tavares: E sobre o ON THE ROCKS, o projeto com o ex-guitarista do FOCUS, Jan Dumee, e os músicos brasileiros Ney Conceição (baixo), Xande Figueiredo (bateria) e Marvio Ciribelli (teclado). Como esse projeto começou? Você não tinha conhecido o Ney, o Xande e o Marvio antes, certo? Você os encontrou depois e como você se sentiu por colaborar com este projeto e tocar com estes caras?

John Lawton :O Jan me pediu para por algumas linhas vocais e letras em algumas faixas que ele tinha escrito como um CD instrumental, o que eu fiz e gravei na Holanda. O plano dele era ir ao Brasil e adicionar o trabalho dos caras, o que eu achei uma grande ideia, uma vez que ele conhecia muito bem o Brasil. Eu tenho que dizer que eu amei trabalhar neste álbum e o Jan é um grande músico. O único que eu realmente não encontrei quando vim para o Brasil para os shows solo foi o Ney. Eu encontrei o Marvio e o Xande no clube do show no Rio e eles se mostraram como caras realmente legais e, mais uma vez, músicos realmente realmente muito bons. Infelizmente, nós nunca chegamos a tocar juntos, o que é uma vergonha....

Daniel Tavares: Bem, uma entrevista com o John Lawton não pode ser uma entrevista pequena (e nós nem falamos muito sobre o URIAH HEEP). Vamos terminar com uma mensagem para todos os seus fãs brasileiros? Por favor, sinta-se à vontade para dizer o que quiser para todos os brasileiros que admiram seu trabalho com o LUCIFER'S FRIEND, URIAH HEEP e como artista solo.

John Lawton :Para todos os fãs do HEEP / LUCIFERS FRIEND e talvez do meu trabalho solo, um GRANDE, GRANDE OBRIGADO por todo o seu apoio ao longo dos anos. Eu me sinto lisonjeado sabendo que eu (nós) temos fãs do outro lado do mundo. Eu realmente espero que possamos voltar aí, esperançosamente que vocês possam ver o LUCIFER'S FRIEND ao vivo depois de todos esses anos....
Cuide-se, Daniel...abraços.
John.




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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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