A forte cena que Ney Matogrosso viu quando trabalhou em laboratório de anatomia
Por Gustavo Maiato
Postado em 11 de setembro de 2023
Ney Matogrosso é um dos grandes nomes do rock dos anos 1970 com o Secos & Molhados. Antes da fama, entretanto, ele trabalhou num laboratório de anatomia em Brasília.

Em entrevista ao Persona, Ney contou qual era sua função no laboratório e disse que ficou três dias sem comer quando precisou se deparar com um corpo totalmente aberto pela primeira vez.
"Tinha uma sala de autópsia, e a primeira vez que eu me deparei com um corpo totalmente aberto, foi uma experiência marcante. Fiquei três longos dias sem conseguir comer, pois não se tratava apenas da visão, mas também do odor que se exalava, uma experiência intensa. No entanto, com o tempo, acabei me acostumando.
Meu trabalho consistia em receber tudo o que era retirado dos corpos ou dos pacientes no hospital. Eu operava uma série de equipamentos pelos quais o material passava, envolvendo um complexo processo que não vou detalhar completamente aqui. O material passava por diversos líquidos e, em seguida, era inserido em parafina. Eu moldava um bloco com a parafina, que endurecia, então utilizava um microscópio para cortá-lo em microfatias.
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Em seguida, submetia essas fatias a um aquecimento suave para derreter a parafina, deixando apenas o que precisava ser examinado. Esse material já havia passado por vários processos de coloração, de forma que, quando eu o observava, já era capaz de identificar quando se tratava de câncer. Eu fiz isso tantas vezes que desenvolvi um entendimento profundo do processo e entregava o resultado ao médico patologista."
Outras curiosidades de Ney Matogrosso
Ney Matogrosso sempre foi uma figura irreverente e desempenhou um papel próximo ao lado de Cazuza, deixando para trás várias curiosidades memoráveis dessa época.
Um dos pontos altos dessa colaboração musical foi o enorme sucesso da canção "Pro Dia Nascer Feliz", que ganhou vida tanto na voz de Cazuza e sua banda Barão Vermelho quanto na versão inconfundível interpretada por Ney Matogrosso.
Em um relato compartilhado por Júlio Ettore em seu canal no YouTube, uma curiosidade hilária veio à tona: Ney Matogrosso tinha o hábito de fazer um trocadilho surpreendente enquanto cantava o refrão desse clássico, algo que fazia Cazuza rir às gargalhadas sempre que percebia.
Durante a mesma época em que o Barão Vermelho lançava sua versão da música, Ney Matogrosso incorporava uma pitada de irreverência à sua interpretação. Ao invés de entoar o refrão original, que dizia "Pro dia nascer feliz", Ney costumava trocá-lo por uma versão mais ousada: "Fodia para ser feliz". Essa ousadia e humor eram características marcantes de Ney, e, no meio dos shows, muitas vezes passava despercebida pelo público.
Contudo, Cazuza não conseguia evitar rir das travessuras do colega, e os dois compartilhavam muitas risadas dessa palhaçada nos bastidores. Essa pequena história exemplifica a química única e o espírito irreverente que Ney Matogrosso trouxe à cena musical brasileira durante sua colaboração com Cazuza, deixando um legado de músicas inesquecíveis e momentos divertidos.
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