A canção do Aerosmith que Steven Tyler tatuou no braço e o Guns N' Roses adotou anos depois
Por Bruce William
Postado em 14 de maio de 2025
Antes mesmo do Aerosmith assinar contrato com a gravadora, Steven Tyler já sabia que "Mama Kin" era especial. Ele acreditava tanto na música que foi até um estúdio de tatuagem em Rhode Island e eternizou as palavras "Ma Kin" no braço esquerdo, abaixo de um coração alado. Anos depois, a música virou um marco na trajetória da banda — e caiu nas graças de um certo grupo de Los Angeles chamado Guns N' Roses.
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"Mama Kin" nasceu antes do próprio Aerosmith existir. Tyler já tinha o esboço da faixa quando se juntou à banda, e sempre defendeu que ela seria responsável por mudar a vida deles. relata a Songfacts. A confiança era tanta que, quando Clive Davis viu o grupo tocar a música ao vivo em 1972, resolveu contratá-los para a Columbia. Ainda assim, o disco de estreia passou meio batido na época, ofuscado pelo lançamento do primeiro álbum de Bruce Springsteen.
O riff principal da canção tem origem curiosa. Tyler admitiu em sua autobiografia "O barulho na minha cabeça te incomoda?" (Amazon) que "pegou emprestado" um lick de "See My Way", do Blodwyn Pig. "Se o Mick pode dizer que tirou 'Stray Cat Blues' do 'Heroin', do Velvet Underground, posso admitir esse pequeno furto", escreveu, se referindo ao guitarrista/vocalista Mick Abrahams, ex-integrante do Jethro Tull. O solo de metais foi gravado por David Woodford, que excursionava com o Aerosmith nos primeiros anos.
A letra mistura provocações, imagens caóticas e trechos quase autobiográficos. A linha "bald as an egg at 18, and working for your daddy's a drag" — algo como "careca feito um ovo aos 18 e trabalhar pro seu pai é um porre" — é uma cutucada direta no roadie Mark Lehman, que trabalhava com o grupo e vivia ouvindo piadas internas. Já "sleepin’ late and smokin' tea", que soa como "dormindo até tarde e chapando", era originalmente "sleepin' late in Sunapee", referência a uma cidade de veraneio frequentada pela banda.
Para Tyler, Mama Kin era mais que uma música. Era um símbolo de independência, de rebeldia, de liberdade criativa — quase uma força espiritual. Ele próprio descreveu o conceito como um impulso interior que move o artista e dá sentido à vida desregrada. "Keep in touch with Mama Kin", no refrão, era um lembrete para se manter conectado com o que realmente importa.
Anos depois, quem também entendeu o poder da música foi o Guns N' Roses. A banda começou a tocá-la nos primeiros shows, ainda na cena underground de Los Angeles, e a gravou em versão ao vivo no álbum "G N' R Lies" (1988). Naquela mesma época, o GNR abriu a turnê Permanent Vacation, do Aerosmith — e Tyler viu sua velha aposta ecoar nos palcos de uma nova geração.
O clima entre as bandas era bom, apesar de uma pequena rusga quando a Rolling Stone deu destaque ao GNR na capa e ignorou o Aerosmith. Ainda assim, no último show da turnê, as duas bandas dividiram o palco para tocar "Mama Kin" em conjunto. Era o reconhecimento da influência — e da permanência — daquela velha música que Steven Tyler tinha tatuado no braço mais de 15 anos antes.
Com o tempo, "Mama Kin" virou nome de bar em Boston, símbolo da primeira fase do Aerosmith e parte obrigatória do repertório ao vivo. Uma canção nascida de um riff emprestado, escrita sob efeito de substâncias alucinógenas, e que acabou sendo passada adiante por outra banda que também sabia viver rápido e alto — exatamente como a música mandava.
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