Como o rock ajudou Hulk Hogan a vencer o medo de virar lutador
Por Gustavo Maiato
Postado em 24 de julho de 2025
Antes de se tornar um ícone da luta livre e astro de filmes de ação, Hulk Hogan — que morreu nesta quinta-feira (24), aos 71 anos — foi um garoto que sonhava com a música. Muito antes dos combates, dos gritos de "Hulkamania" e da fama global, Terry Gene Bollea tocava baixo numa banda de rock chamada Ruckus, em bares da Flórida. As informações foram apuradas do American Songwriter e do TMZ.

O palco foi sua primeira arena. A banda, formada ainda no colégio, tocava covers de rock clássico e composições próprias em casas lotadas de Tampa e Clearwater Beach. Entre os frequentadores habituais, um público inesperado: lutadores profissionais da cena regional.
"Eu era um grande fã de wrestling, mas tinha medo deles", revelou Hogan, em entrevista de 2014 à Vice. "Naquela época, se você dissesse que era falso, eles te davam um soco." A aproximação com os lutadores se deu pela música. "Eles vinham ver a banda — diziam que era boa, e as mulheres bonitas no público ajudavam", contou. Os shows iam até de madrugada, e ele acabou fazendo amizade com nomes como Oliver Humperdink, empresário de Superstar Billy Graham.
Foi nesse ambiente, entre cabos e amplificadores, que Hogan teve a coragem de dizer em voz alta: queria tentar a sorte como lutador. A partir daí, o rock cedeu espaço ao ringue — mas não saiu de cena. Hogan estrelou "Hulk Hogan’s Rock 'n' Wrestling", desenho animado em que sua personagem vivia aventuras ao som de guitarras distorcidas. A animação, sucesso nos anos 1980, misturava luta livre com estética de videoclipes. Ele também participou de séries como "Frango Robô" e "American Dad", sempre interpretando versões exageradas de si mesmo, com muito humor e trilhas pesadas.
A ligação com o gênero era tão forte que o próprio nome do personagem — Hulk Hogan — foi criado para evocar força e atitude, quase como um astro do rock. Com seu visual de cabelos loiros, bigode, bandana e músculos definidos, ele se tornou um personagem maior que a vida, parte da cultura pop tanto quanto qualquer frontman de arena. Sua morte foi confirmada por seu agente ao site TMZ. Hogan faleceu em casa, na cidade de Clearwater, na Flórida. A causa não foi revelada.
Hogan venceu doze títulos mundiais e acumulou recordes na WWF (hoje WWE) e na WCW. Também estrelou filmes como Rocky III, Comando Suburbano e O Senhor Babá. Foi estrela de reality show, ídolo da TV infantil e até figura política — rasgou a própria camisa ao declarar apoio a Donald Trump, numa de suas tantas performances fora do ringue.
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