A música de Yngwie Malmsteen que Jeff Scott Soto teve medo de mostrar à família
Por João Renato Alves
Postado em 29 de agosto de 2025
O vocalista Jeff Scott Soto participou do 5 to Rock, apresentado pelo jornalista brasileiro Ricardo Batalha. Na ocasião, o cantor falou sobre "Marching Out", seu segundo álbum com Yngwie Malmsteen, que está completando 40 anos. O disco teve predominância de faixas cantadas, ao contrário de "Rising Force" (1984), que contava com apenas duas que não eram instrumentais.
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No entanto, uma das composições causou um dilema pessoal no frontman. "Disciples of Hell" – "Discípulos do Inferno" em português – trazia uma letra que mexia com aspectos ocultistas, dando uma atmosfera dark que deixou o intérprete desconfortável.
"Eu amo a música e suas melodias, mas não me apaixonei pela letra. Yngwie era realmente fascinado pelo ocultismo. Sabe, quando Ozzy cantava ‘Mr. Crowley’, outra pessoa escreveu a letra — ele estava apenas cantando: ‘Senhor Crowley, o que se passou na sua cabeça?’. Ele não estava lendo livros ou estudando a Bíblia Satânica nem nada do tipo. Yngwie estava. Não que ele fosse satanista nem nada disso — só estava realmente interessado, só queria entender os dois lados: o da luz e o das trevas. Então, ele estudou bastante sobre o assunto. E foi daí que surgiu ‘Disciples of Hell’."
A situação foi diferente do habitual a ponto de Jeff temer pelas impressões em casa. "Havia velas acesas, encantamentos — um monte de coisas que me deixaram meio desconfortável. Cresci em um lar católico muito rigoroso e o tempo todo pensava: ‘Cara, espero que minha mãe não ouça essa música’. Era só isso que se passava pela minha cabeça naquele momento."
Soto tentou até mesmo convencer o patrão a fazer a parte narrada, que remetia a um ato demoníaco. "Lembro que durante a pré-produção, estávamos ensaiando aquela parte depois dos solos de guitarra... era uma parte longa em que nada realmente acontecia, então comecei a fazer palhaçadas — agindo como um demônio, como um personagem satânico. Todo mundo estava curtindo a música no ensaio. Aí chegamos ao estúdio e o Yngwie disse: ‘Você tem que fazer aquilo’. Eu fiquei tipo: ‘Cara, eu só estava brincando!’ E então ele escreveu versos como: ‘Levante sua taça e louve o Príncipe das Trevas, veja a verdade...’ — nem me lembro da letra completa, mas era como se eu estivesse adorando Satanás. E cara, eu simplesmente não conseguia. Não contei isso a ele — não queria ser demitido. Então tentei um pouco de psicologia reversa: ‘Você deveria fazer a voz... Você tem o sotaque europeu — você deveria fazer isso.’"
"Marching Out" marcou a estreia do baterista Anders Johansson, além de ter sido o único com o baixista Marcel Jacob – com quem Jeff criaria o Talisman posteriormente. O vocalista sairia logo após as gravações, sendo substituído por Mark Boals, que aparece o dublando no videoclipe de "I’ll See the Light Tonight". O trabalho chegou ao 9º lugar na parada da Suécia, terra natal do guitarrista.
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