A grande crítica dos puristas contra Roberto e Erasmo Carlos, segundo Regis Tadeu
Por Gustavo Maiato
Postado em 25 de agosto de 2025
Todo movimento cultural que desafia tradições sofre resistência, e com a Jovem Guarda não foi diferente. Quando Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa surgiram na TV Record em 1965, levaram para os lares brasileiros um som novo, colorido e elétrico, inspirado pela febre do rock internacional. Mas, junto da adoração dos "brotos", veio também uma onda de críticas severas, especialmente por parte da elite musical da época.

Como explicou o crítico Regis Tadeu em um de seus vídeos, os puristas da música brasileira viam a Jovem Guarda como um movimento alienado, superficial e até perigoso para a identidade cultural do país. Enquanto os festivais de música revelavam nomes como Elis Regina e Jair Rodrigues, com canções de forte cunho social e político, Roberto e Erasmo eram acusados de viver em um "Brasil cor-de-rosa", alheio à repressão da ditadura militar.
Regis Tadeu e a Jovem Guarda
A maior crítica recaía sobre as letras simples das músicas do movimento, que falavam de carros, garotas e festas, além da estética abertamente inspirada no rock estrangeiro. Para essa ala conservadora, a Jovem Guarda representava uma "cópia barata" do que vinha dos Estados Unidos e da Inglaterra, sem raízes na tradição brasileira do samba e da bossa nova.
Segundo Regis, havia ainda uma forte vertente nacionalista que interpretava a Jovem Guarda como submissão cultural ao imperialismo norte-americano. Para eles, adotar guitarras, calças justas e cabelos à la Beatles era trair a "brasilidade" e substituir a autenticidade da música nacional por um hedonismo vazio.
Apesar dessas críticas, o impacto foi transformador. A Jovem Guarda democratizou a música pop, chegando às periferias e ao interior, lugares onde a bossa nova e a nascente MPB dificilmente alcançavam. A guitarra elétrica e o órgão Farfisa de Lafayette modernizaram a sonoridade brasileira, aproximando o país do que havia de mais atual no cenário mundial.
Com o tempo, Roberto e Erasmo mostraram que não eram artistas passageiros. Nos anos 1970, reinventaram-se como compositores autorais, criando obras que superaram o rótulo de alienados. Ainda assim, como lembra Regis, a crítica dos puristas marcou os primeiros passos da dupla — e ajuda a entender por que a Jovem Guarda foi, ao mesmo tempo, tão amada e tão combatida.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



42 shows internacionais de rock e metal no Brasil até o final de setembro
Billy Gibbons explica continuidade do ZZ Top tendo apenas sua presença dos membros clássicos
Assista o primeiro show da Cretin Family (Ramones, Green Day, Rancid e Blink-182)
As únicas 11 músicas do Dream Theater que são boas, segundo Regis Tadeu
O riff do Black Sabbath que Eddie Van Halen vivia pedindo para Tony Iommi tocar
Por que Luís Mariutti foi barrado no show do Angra, segundo o próprio
O disco do Rush que baixista do Napalm Death considera perfeito
O disco que talvez seja a definição mais perfeita de "classic rock"
Tuomas Holopainen diz que refaria apenas uma letra em 30 anos de Nightwish
A banda que Robert Plant definiu como "clinicamente morta" após ir a show deles
Bruce Dickinson alfineta Trump durante show do Iron Maiden no Canadá
Gigantes do rock: 10 rockstars que beiram os 2 metros de altura
O tipo de banda que fazia Angus Young dizer que bocejaria até não aguentar mais
O segredo revelado por Ronnie James Dio que deixou James Hetfield irritado
O ícone do metal extremo que já tentou "recriar" o Álbum Branco do Beatles algumas vezes
O disco do Roberto Carlos que faria muito sucesso, de acordo com Regis Tadeu
Rock Nacional: Artistas e bandas que estrearam com álbuns estranhos
Tesouros brasileiros: Roberto Carlos, o rockeiro


