A banda aclamadíssima que Eddie Vedder acha que deveria ter lotado estádios, mas não rolou
Por Bruce William
Postado em 02 de setembro de 2025
Nos anos 1990, o grunge foi apontado como herdeiro natural do espírito punk. Mais do que guitarras distorcidas e vocais intensos, os dois movimentos partilhavam uma mesma rebeldia contra a cena musical que parecia mais interessada em lucros do que em criatividade. Para Eddie Vedder, essa conexão entre estilos ajudava a explicar tanto os sucessos quanto as injustiças que marcaram suas trajetórias.
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Em declaração publicada na Far Out, o vocalista do Pearl Jam lembrou como o início da década foi um período fértil. Nirvana estourava com 'Smells Like Teen Spirit", o próprio Pearl Jam lançava "Ten", enquanto nomes como Primal Scream, Radiohead, Oasis, Massive Attack e Björk surgiam quase simultaneamente. "É importante lembrar que, naquele começo dos anos 90, havia muita gente fazendo um novo punk rock em bermudas e camisas de flanela", comentou, destacando como tudo parecia explodir ao mesmo tempo.
Vedder reconhece, no entanto, que o Pearl Jam e o Nirvana não foram os responsáveis por inventar o grunge, apenas por levá-lo ao grande público. Antes deles, grupos como o Mother Love Bone já tinham aberto o caminho com o álbum "Apple" (1990). A morte precoce de Andrew Wood, vocalista da banda, interrompeu essa trajetória, mas deixou uma marca profunda em Seattle. Foi em homenagem a Wood que surgiu o Temple of the Dog, projeto em que Vedder fez suas primeiras gravações ao lado de Chris Cornell.
Ao refletir sobre essas bandas pioneiras, Vedder lembrou de outro caso clássico de reconhecimento tardio: os Ramones. Para ele, assim como o Mother Love Bone no grunge, os Ramones foram os verdadeiros fundadores do punk, mas nunca colheram o que mereciam. "Meu entendimento, conversando com gente como Johnny e Marky [Ramone], é que os primeiros punks esperavam aproveitar os frutos disso. Mas nunca aconteceu. Os Ramones nunca dominaram o rádio como deveriam, nunca tocaram em arenas como mereciam."
No olhar de Vedder, tanto no punk quanto no grunge, alguns abriram portas sem receber os louros. Enquanto bandas posteriores se beneficiaram da explosão do movimento, nomes fundamentais ficaram restritos ao culto de fãs fiéis. É a velha história do rock: nem sempre quem planta é quem colhe.
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