Como Mamonas Assassinas fez Raimundos mudar suas letras, segundo Rodolfo
Por Gustavo Maiato
Postado em 14 de outubro de 2025
Em entrevista ao Ticaracaticast, o ex-vocalista dos Raimundos, Rodolfo Abrantes, relembrou um dos períodos mais intensos e contraditórios de sua carreira: a gravação do álbum "Lapadas do Povo", em 1997. Gravado em Los Angeles, o disco marcou uma tentativa da banda de amadurecer musicalmente após o sucesso massivo de "Lavô Tá Novo", e também refletiu o caos pessoal vivido por seu vocalista na época. Rodolfo falou sobre o uso constante de drogas, a dificuldade criativa, a influência dos Mamonas Assassinas e o trágico acidente que marcou o primeiro show da turnê.

Segundo o músico, o abuso da maconha afetou diretamente seu raciocínio e o modo como via o mundo. "Eu nunca fui de usar droga pesada, não. Cheirava uma vez aqui, outra ali, tomava um ácido de vez em quando, mas fumava bagulho o dia inteiro. Isso ferrava com o meu jeito de pensar. A cabeça vai parando, sabe? Eu ficava viajando em qualquer coisa, criando teoria maluca sobre um copo d'água. Qualquer um que ouvisse falava: 'Tá viajando'", contou. Ele disse que o sucesso o impedia de ser contido por alguém: "Minha doideira virava música e dava dinheiro, então ninguém me brecava. Diziam: 'Deixa ele fumar, que ele faz as músicas loucas que vendem'."
Raimundos e Mamonas Assassinas
O cantor explicou que o sucesso dos Mamonas Assassinas, pouco tempo antes, influenciou a banda a repensar o estilo das letras. "A gente queria se descolar daquela fase das piadinhas. O Mamonas tinha tomado conta desse espaço do humor, e pensamos: 'Vamos mostrar que temos um trabalho sério também'. Por isso o 'Lapadas do Povo' ficou mais denso, mais sombrio, menos engraçado."
Rodolfo contou que essa mudança gerou até estranhamento dentro da gravadora: "Um cara leu as letras e perguntou: 'Que houve, brother? Cadê os palavrão? Tu afinou? Amarelou' Mas eu tava longe de casa, em Los Angeles, com saudade dos amigos, da minha vida. As letras saíam tristes, introspectivas. A vibe era outra."
Durante a gravação, ele sentiu na pele o isolamento e a falta de inspiração. "A gente ficou dois meses lá, longe de tudo. E eu sempre deixava pra escrever na última hora, igual tarefa de escola depois do Fantástico", disse.
O resultado, no entanto, veio acompanhado de tragédia. O primeiro show da turnê, realizado em Santos (SP), terminou com a morte de oito pessoas. "Foi terrível. O show tinha acabado, e o clube só abriu uma saída. Tinha uns fios expostos perto da escada, o chão tava molhado. Alguém tomou um choque e passou pro outro. A galera começou a pular do meio da escada pra não tomar choque, e nisso um caiu, outro caiu por cima. Virou um bolo de gente", contou o cantor, visivelmente abalado ao relembrar o episódio. "Foi um choque - literal e emocional. A gente ficou muito mal com isso."
Confira a entrevista completa abaixo.
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