Os dois caras que cantam pra caramba que levaram Gene Simmons a acreditar que também podia
Por Bruce William
Postado em 18 de novembro de 2025
Quando pensava em montar banda, o jovem Gene Simmons não se imaginava pegando o microfone na frente de todo mundo. Em entrevista à Rock Cellar, ele lembrou que o problema começava pela própria aparência: "A ironia é que eu percebia que, se fosse estar em uma banda, eu não me via como vocalista. Fisicamente eu era grande demais e não via caras do meu tamanho fazendo isso." Num cenário dominado por frontmen magros e andróginos da invasão britânica, ele simplesmente não se enxergava ali.
Além disso, Simmons tinha consciência de que não era um "cantor de técnica absurda". Conforme pontua a Far Out, ele sabia que não chegaria perto de uma Aretha Franklin, e via gente como Paul McCartney fazendo coisas vocais que ele não conseguia copiar. O que faltava era encontrar exemplos mais "pé no chão", que mostrassem que dava para segurar um microfone sem soar como um cantor de soul ou de música pop cheia de firula.

Essa chave virou quando ele começou a prestar atenção em dois nomes específicos. Gene conta que sabia que conseguia "cantar bem o suficiente", mas faltava um parâmetro. A resposta apareceu quando colocou Mick Jagger e Eric Burdon na mesma balança que usava para se medir: "De repente eu notei que era pelo menos tão bom quanto Eric Burdon e Mick Jagger, esses caras que cantam de um jeito bem direto."
O que Simmons pegou dos dois não foi exatamente o timbre, mas a maneira de encarar a voz dentro do rock. Ele destaca que Jagger não precisa de voltas mirabolantes para fazer uma música funcionar: "Quero dizer, qualquer um consegue cantar 'Satisfaction'. Não tem exagero vocal ali." A lição, tanto com o vocalista dos Rolling Stones quanto com Eric Burdon, do Animals, é que atitude, fraseado e presença às vezes falam mais alto do que acrobacia técnica.
A partir dessa descoberta, ele ganhou segurança para sair do quarto e entrar em grupos locais. Simmons contou que, assim que fez essa associação, não perdeu tempo: "Então eu imediatamente comecei a entrar em bandas. A primeira banda em que entrei talvez tenha sido a Missing Lynx, depois eu realmente peguei o embalo com um grupo chamado Long Island Sounds e, depois disso, tivemos uma banda chamada Cathedral, que tinha um órgão Hammond B-3." Em paralelo, começou a escrever as próprias músicas e a testar ideias que mais tarde apareceriam em discos do Kiss.
Entre essas composições iniciais estava "She", criada ainda nessa fase e posteriormente reaproveitada pelo Kiss em "Dressed to Kill", de 1975. A trajetória que começou com um adolescente que não se via como vocalista por causa do corpo e da voz acabou levando a um baixista que dividiu os microfones principais de uma das bandas mais conhecidas do rock. E, no meio do caminho, a descoberta de que dava para cantar "pelo menos tão bem" quanto Mick Jagger e Eric Burdon foi o empurrão que faltava para ele parar de se esconder atrás do baixo.
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