A história de quando Regis Tadeu passou fome: "Vou fracassar como ser humano?"
Por Gustavo Maiato
Postado em 14 de novembro de 2025
O crítico musical Regis Tadeu já viveu muita coisa - e não esconde isso. De entrevistas polêmicas e opiniões afiadas à fama de língua mais ácida do jornalismo musical brasileiro, Regis costuma rir do rótulo. Mas por trás da persona dura e debochada, há uma história de luta, solidão e obstinação.
Em conversa com Paulo Mathias, ele abriu o coração sobre fome, morte e o sentido da vida. "A morte é inevitável. Mas eu brinco que sou imortal, e tem gente que até se irrita com isso", começou, entre risos. "Eu tendo a acreditar que a alma da gente vai para outro plano. A gente larga a carcaça e segue. É um desperdício muito grande pensar que tudo acaba aqui."

A leveza com que fala da morte contrasta com as lembranças mais duras da juventude. Régis contou que, nos primeiros meses em que resolveu morar sozinho, passou fome - de verdade. "Já teve dia em que eu abria a geladeira e tinha uma garrafa d'água e uma esfirra de ontem. Passei fome, sim. E isso não me envergonha em nada", relembra.
Regis Tadeu e a fome
Ele conta que precisou vender parte de sua coleção de discos - o bem mais precioso de sua vida - para poder se alimentar. "Peguei grande parte dos meus discos e vendi para comer. Depois comprei tudo de novo. Essa é a grande graça da obstinação."
Mas o que mais o marcou não foi a dor física. "Passar fome é uma dor emocional também. É quando você pensa: 'será que eu vou fracassar como ser humano?'", disse. "É a sensação de que, se não fizer algo, vai acabar derrotado. E aí você redireciona seus esforços para sair daquilo."
Segundo ele, foi essa experiência que o fez adotar uma rotina de empatia - e uma prática inusitada. "Hoje, quando sobra comida em restaurante, peço para fazer quentinha. E deixo para alguém na rua. Já deixei até quentinha com camarão para morador de rua. Eu sei o que é passar fome."
Regis Tadeu e o sentido da vida
Questionado sobre o sentido da vida, Regis respondeu com a franqueza habitual: "A vida é ter noção de que é possível existir com dignidade e honestidade. E usar isso para deixar a vida das pessoas que você ama um pouco melhor. E, claro, comprar discos."
Os discos, aliás, são o fio condutor de sua existência. Em 2013, ele parou de contar quantos tinha. "Parei em 17 mil LPs e 24 mil CDs. Depois disso, desisti de contabilizar. Chegou um ponto em que eu guardava discos no armário da cozinha", lembra, rindo. Mesmo assim, ele nega ser um acumulador. "O acumulador é porco, perde a noção de higiene. Eu, não. Minha casa é um brinco. Só que cheia de discos."
O entrevistador pergunta se Tadeu pensa em casamento ou filhos. A resposta vem sem hesitar: "Casar, jamais. Morar junto, jamais. Ter filho, jamais. Meus filhos são meus discos."
O crítico prefere investir seu tempo em experiências e conhecimento. "Eu viajei muito menos do que queria. Quero conhecer Londres e Escócia - mas com dinheiro. Não quero ser o cara que vai pra Europa para dividir um McDonald's no almoço e jantar."
A relação com a cultura britânica vem de longe. "Com 9 anos eu lia Júlio Verne. Com 10, Sonetos de Shakespeare. Minha mãe comprou a coleção Grandes Clássicos da Literatura. Isso me abriu portas. Por isso sempre digo: façam seus filhos amarem a leitura. A leitura cria seres humanos melhores."
Regis Tadeu e lealdade
Outra palavra que se repete no vocabulário de Regis é lealdade. "Lealdade é um princípio tão básico quanto respirar. Você precisa ser leal às pessoas que te ajudaram a crescer - e a você mesmo", afirma. "Se eu quiser colocar água de radiador no meu bourbon, eu coloco. Porque um dos caminhos mais certeiros para felicidade é parar de se importar com o que os outros pensam."
Segundo ele, não se trata de arrogância, mas de liberdade. "Zero. Eu zero me importo com o que pensam de mim. É libertador. Minhas redes sociais são tranquilas porque eu bloqueio. Tentou encher o saco, tchau. 'Ah, mas pega mal!' Nem aí."
Confira a entrevista abaixo.
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