A clássica do rock que Sammy Hagar chamou de "uma das piores gravações de todos os tempos"
Por Bruce William
Postado em 07 de novembro de 2025
O "Red Rocker" nunca vendeu perfeição de estúdio como medida de grandeza. Para ele, o rock nasce quando as imperfeições se atritam e, por acidente feliz, viram faísca. Só que Hagar também admite que há registros que, mesmo clássicos, soam... duros de engolir.
Ele faz o preâmbulo e em seguida dispara: "Nem sempre é a melhor tomada. Os Stones têm alguns hits bem toscos que, se você destrinchar, ninguém está tocando fantasticamente. É sobre a mágica e a sorte de acertar aquilo. 'Wild Thing', dos Troggs - fala sério! Essa é uma das piores gravações de todos os tempos."
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A crítica dele, resgatada pela Far Out, não é sobre composição: é sobre o take que ficou para a história. Hagar sabe o peso que um vocal pode cobrar - viveu noites puxadas no Van Halen - e, ainda assim, mantém o padrão onde interessa: entrega e presença. Na visão dele, carisma segura plateia quando a técnica falha; é por isso que David Lee Roth sempre funcionou no palco, mesmo longe do rótulo de "músico perfeito".
Ao ouvir "Wild Thing" sob esse prisma, ele enxerga mais sorte que precisão. O curioso é que a própria filiação garage do single ajuda a explicar sua força: poucos acordes, arranjo seco, energia suficiente para fazer gente pegar um violão. Quando alguém queria ouvir "a versão que merecia", Jimi Hendrix tratou de entregar nos palcos a sua versão, com qualidades de sobra.
Hagar usa o exemplo para lembrar que a memória do rock não é museu de takes imaculados. Ela guarda instantes de impacto. É por isso que alguns registros soam rústicos, mas ficam maiores que os defeitos. Outros, como "Wild Thing', entram no pacote dos clássicos tortos: funcionam pelo refrão e pela atitude, mesmo que a gravação não ajude.
Mas é fácil compreender por que seus discos recentes soam mais leves e redondos: padrão alto sem perder a diversão da banda. A moral, no dialeto Hagar, é direta: perfeição é opcional; magia + timing são obrigatórios. E às vezes, quando a magia falha, sobra um clássico - só que com aquele chiado que ele não consegue "desouvir."
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