A clássica banda prog que Dave Grohl nunca curtiu; "hippie demais pra mim"
Por Bruce William
Postado em 23 de fevereiro de 2026
Dave Grohl é o tipo de cara que ouve de tudo e nunca teve problema algum em admitir isto. Ao longo dos anos, ele já citou Beatles, punk, metal, funk, R&B e um monte de coisa fora da rota mais óbvia de quem muita gente enxerga só como "o cara do Nirvana/Foo Fighters". Mas isso não significa que ele goste de tudo no rock clássico só porque reconhece a importância de uma banda.
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Em um desses casos, a banda em questão é o Yes. E o ponto central é que Grohl não desqualifica o grupo nem trata a história deles com desprezo. O que ele diz é outra coisa: que simplesmente nunca conseguiu entrar de verdade naquele universo, especialmente quando compara com outra referência do rock progressivo que ele sempre abraçou com mais naturalidade, o Rush.
A fala veio quando ele comentou a influência de Taylor Hawkins, que era um grande fã de Yes e mostrava vídeos da banda para o resto do pessoal. Grohl reconheceu o peso histórico e também o nível dos músicos, citando inclusive o respeito que tinha por Bill Bruford e companhia. Ainda assim, deixou claro que o progressivo, para ele, às vezes escapa.
Na frase mais direta sobre o assunto, Grohl resumiu assim, conforme transcrição da Far Out: "Taylor é um grande fã de Yes e nos presenteou com muitos vídeos de shows do Yes. Claro, eu cresci ouvindo os hits no rádio, então tenho muito respeito por Bruford e o resto dos caras. Mas às vezes o prog realmente me escapa. Eu sempre consegui entrar na onda do Rush, mas o Yes sempre pareceu hippie demais pra mim."
Essa comparação ajuda a entender bem o gosto dele. Não é uma rejeição ao virtuosismo ou à ideia de música mais elaborada. Grohl sempre valorizou músicos fortes, arranjos bem amarrados e bandas que sabiam tocar muito. O que pega, nesse caso, parece ser mais a estética e o clima de certas músicas do Yes que seguem uma linha mais etérea, mais contemplativa, que não conversa tanto com o tipo de energia que ele procura.
E isso combina com a formação musical dele. Grohl veio de uma cena em que peso, urgência e impacto eram parte da linguagem, então faz sentido que ele se conecte mais com bandas em que a agressividade ou a pegada rítmica aparecem com mais força. Quando ele fala de Rush, por exemplo, a porta de entrada parece estar justamente nessa combinação entre técnica e pressão, sem soar "leve" demais.
Ao mesmo tempo, a fala tem um mérito que nem sempre aparece nesse tipo de declaração: ele consegue dizer que não gosta sem fingir que a banda não tem valor. É uma diferença importante. Em vez de transformar gosto pessoal em sentença definitiva - como é comumente feito e até por "críticos musicais" - Grohl basicamente admite que o Yes nunca foi a praia dele e pronto. Coisa rara num mundo em que muita gente prefere posar de juiz do rock, e que considera que seu gosto pessoal é o que deve balizar conceitos de qualidade ou não.
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