A banda de metal que revelou que está quebrada mesmo após tocar dois meses em arenas
Por Gustavo Maiato
Postado em 29 de janeiro de 2026
Mesmo após cumprir uma longa turnê europeia em arenas, a banda britânica Witch Fever afirma que segue sem dinheiro e enfrentando dificuldades básicas para sobreviver no atual modelo da indústria musical. O grupo de doom punk, formado em Manchester em 2017 e conhecido por sua postura contestadora, falou abertamente sobre o tema durante participação no podcast 101 Part Time Jobs (via Ultimate Guitar).

A vocalista Amy Hope Walpole foi direta ao descrever a situação. "A gente está quebrada pra caralho - e acabou de fazer dois meses tocando em arenas", disse. Segundo ela, o problema vai além da remuneração baixa: a própria dinâmica de turnês impede que músicos consigam empregos paralelos. "A gente também não consegue um trabalho porque volta à estrada em março, então ninguém quer contratar", afirmou. Em um dos trechos mais duros da entrevista, Amy revelou: "Atualmente estou vivendo com quatro mil libras da pensão da minha mãe, que faleceu, e que recebi no fim do ano passado. Esse dinheiro está acabando rapidamente. É um cenário bastante deprimente." A transcrição é da Metal Hammer.
A situação da banda se agrava por entraves burocráticos. O baixista Alex Thompson explicou que o lucro obtido na turnê de abertura para o Volbeat está retido em impostos europeus. "A gente acabou de sair de uma turnê com o Volbeat, dois meses em arenas e estádios. Tocamos até em Wembley. Quando terminou, nosso lucro ficou todo preso em impostos de retenção pela Europa", relatou. Segundo ele, trata-se de um dinheiro ao qual a banda simplesmente não consegue ter acesso no momento.
O caso do Witch Fever não é isolado. Artistas veteranos também têm denunciado a precarização do setor. Em entrevista concedida em dezembro de 2025, Gary Holt, guitarrista do Exodus, resumiu a realidade atual de forma crua: "É isso que todos nós somos agora. Algumas bandas, como o Metallica, conseguem viver sem vender uma camiseta. Mas, para bandas como o Exodus, somos uma loja itinerante. Tocamos música para que você venha visitar nossa loja." Para Holt, só há algum alívio quando os cachês cobrem os custos da estrada: "Se o valor garantido paga a turnê inteira, você já está muito à frente. Aí a venda de merchandising vira o dinheiro que sobra."
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