A música feita pra soar mais pesada que o Black Sabbath e que o Metallica levou ao extremo
Por Bruce William
Postado em 17 de janeiro de 2026
Tem uma confusão que se repete há décadas: você solta "Am I Evil?" num papo de metal e sempre aparece alguém jurando que a música é do Metallica. Dá pra entender de onde vem isso, já que a banda gravou a faixa no lado B do single "Creeping Death" (1984), depois no Garage Inc. (1988) e tocou ao vivo incontáveis vezes e, pra muita gente, a primeira lembrança do riff vem dali. Só que a história começa bem antes, no começo da NWOBHM, com o Diamond Head montando uma música que foi crescendo no braço, no ensaio e na insistência.
Metallica - Mais Novidades
Quem conta essa construção é Brian Tatler, guitarrista e um dos fundadores do grupo. Ele lembra para a Classic Rock que a meta era simples e bem direta: escrever algo "mais pesado" do que "Symptom of the Universe", do Black Sabbath. Quando apareceu aquele riff, a banda entendeu que tinha algo grande na mão e passou a tratar a música como um projeto em andamento, não como composição que nasce pronta e vai pro estúdio no dia seguinte.

Segundo Tatler, "Am I Evil?" levou cerca de 18 meses para virar o que virou. A banda foi "costurando" partes: primeiro o corpo pesado, depois a seção rápida, e em seguida uma introdução que ele associa a "Mars", da suíte The Planets, de Gustav Holst. A última peça, curiosamente, teria sido o trecho do solo - com mudança de tonalidade e uma ideia de tapping - e ele situa esse processo entre 1978 e 1980, quando o grupo entrou para gravar o "Lightning To The Nations".
A letra também ajudou a música a ganhar fama. Tatler diz que a abertura "Minha mãe era uma bruxa" era "uma ótima linha" e brinca que a mãe do vocalista Sean Harris provavelmente não curtiu muito, mas "provavelmente já perdoou". Ele mesmo admite que não sabe explicar exatamente do que se trata a história inteira; pra ele, funciona porque soa bem como rock pesado, com aquele clima de bem e mal, yin e yang, sem virar tese.
O teste decisivo foi no palco. Tatler lembra que a banda aprendeu rápido que música lenta não rendia ao vivo e que as rápidas ficavam no set. "Am I Evil?" passou no critério mais cruel possível: a reação do público. Se não tivesse funcionado, teria sido descartada. E isso diz bastante, porque a faixa é longa, tem dinâmica, partes diferentes e não parece feita para agradar rádio.
Ela ainda ganhou duas "vidas" em estúdio: além da gravação do "Lightning To The Nations" (o "White Album" do Diamond Head), Tatler conta que a banda precisou regravá-la depois para o "Borrowed Time", e que foi estranho revisitar a mesma música. Ele também descreve um detalhe de timbre que muita gente não pesca: um Morley Power Wah Boost ajustado numa posição mais "nasal", que ajudava a dar um caráter mais "malvado" ao som da guitarra.
Aí entra o Metallica. Tatler lembra do dia em que ouviu a versão dos caras: acharam "mais pesada e mais justa", mas não melhor do que a deles - aquele orgulho normal de quem gravou o original. O ponto é que, em 1984, eles não imaginavam nem de longe o tamanho que o Metallica tomaria. Tatler diz que conheciam o Lars Ulrich, sabiam o quão ambicioso ele era, mas não viam como aquela banda iria levar aquele metal para tanta gente.
O lado prático dessa história aparece quando Tatler fala das contas: ele agradece a decisão do Metallica porque não sabe o que faria sem os royalties de quatro músicas do Diamond Head que eles gravaram ("Am I Evil?", "Helpless", "The Prince" e "It's Electric"). E fecha com uma tirada que resume o espírito: "imitação é a forma mais sincera de elogio", então, claro, a banda ficou lisonjeada: "eles poderiam ter gravado Witchfinder General, né?", ele brinca, rindo.
"Am I Evil?" virou aquele tipo de música que explica tudo sem discurso: quando o riff entra, mexe com a plateia, e Tatler diz que "você não tem como errar" se acionar aquilo ao vivo. Ele até compara o riff a um "Smoke on the Water" do metal: simples, marcante, fácil de lembrar e de cantarolar - o tipo de coisa que muita gente aprende cedo, não por ser "fácil", mas por ser inevitável.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Mastodon oficializa nova formação, que conta com músico brasileiro
A banda que bateu um recorde dos Beatles e afundou em poucos anos
Nicko McBrain surpreende ao eleger os álbuns do Iron Maiden do pior ao melhor
O disco de 1983 que Dave Grohl sabe tocar de cor e salteado; "Conheço cada virada de bateria"
Ex-baterista do Guns N' Roses fala sobre o Axl Rose que a maioria não conhece
O lado bom e o ruim de fazer shows na América do Sul, segundo o líder do Iron Maiden
A música do AC/DC que Angus Young escolheu como sua favorita na guitarra
Mick Jagger não vê nada de bom em envelhecer, mas admite uma vantagem inesperada
Iron Maiden transforma primeiro festival próprio em celebração monumental de 50 anos
Jennifer Finch, baixista da L7, diagnosticada com agressivo câncer cerebral
Rock e Heavy Metal - lançamentos de faixas, álbuns e mais novidades
5 músicas que quando tocam no show todo fã de metal entra no mosh na hora
Bill Ward sobre Ozzy Osbourne: "Sinto saudades dele todos os dias"
A opinião de Steve Harris, do Iron Maiden, sobre o The Darkness
As duas faces de Freddie Mercury que até Brian May tinha dificuldade de decifrar

5 hits que quando tocam no show todo fã de rock vai pegar cerveja ou ir ao banheiro
O disco ideal para começar a ouvir heavy metal, segundo o WatchMojo
Os 20 maiores hinos do heavy metal, em lista do WatchMojo
O riff mais tocado na maior loja de guitarra do mundo: "Antes era Stairway to Heaven"
As 20 melhores músicas do metal moderno, segundo o WatchMojo
O guitarrista que James Hetfield queria ter sido antes de criar o Metallica
5 músicas de heavy metal que até quem não gosta conhece
O guitarrista que fez Kirk Hammett se sentir culpado por ter comprado guitarra muito barata
O músico que Hetfield achava ser "muito" para o Metallica; "ele jamais se juntaria a nós"
Integrante do Metallica se ajoelhou no chão ao reconhecer ex-guitarrista do Sepultura
A opinião de Dave Mustaine sobre habilidades de James Hetfield na guitarra


