A banda de metal cujo cantor se disfarçava para não perder o emprego na Petrobras
Por Gustavo Maiato
Postado em 11 de fevereiro de 2026
Durante entrevista ao podcast Amplifica, de Rafael Bittencourt, o músico Leoni relembrou os bastidores do início dos anos 1980 e contou uma história curiosa envolvendo a banda carioca Sangue da Cidade, que participou do projeto Rock Voador, lançado pela Warner em 1982.
A conversa começou quando Rafael perguntou se a primeira gravação do grupo havia sido feita em cassete. Leoni explicou que não: "A gente gravou, saiu em meia polegada. A gente gravou em fita de 16 canais, numa máquina de 16 canais, fita de duas polegadas, e a gente mixou em meia polegada. Naquela época nem tinha como ser diferente." O objetivo era simples: divulgar o material na Rádio Fluminense FM, a "Maldita", principal vitrine do rock brasileiro naquele momento.

Leoni admitiu que a gravação era tecnicamente fraca. "Era ruim a gravação. Muito ruim. Porque a gente não sabia gravar. Não tinha a menor ideia do que era. A gente achava que era só chegar lá e gravar." Mesmo assim, duas músicas entraram no disco coletivo Rock Voador, que funcionava como uma espécie de vitrine competitiva entre novos artistas. Segundo ele, era como um "pau de sebo": quem se destacasse ganhava contrato, os demais ficavam pelo caminho.
Foi nesse contexto que surgiu a história mais inusitada. Antes de o Kid Abelha ser testado pela gravadora, quem chamou atenção foi a banda Sangue da Cidade, que misturava heavy metal com uma pegada mais pop para tentar se encaixar no projeto. Leoni contou: "Tinha um cantor que era uma figura. Ele cantava de chapéu e de óculos escuros porque era executivo da Petrobras e achava que, se descobrissem que era ele cantando, ia ser demitido."
O receio fazia sentido para a época. O rock ainda era visto com desconfiança em certos ambientes corporativos, especialmente em empresas tradicionais. O disfarce virou marca do vocalista, que subia ao palco tentando preservar a identidade profissional enquanto investia na carreira artística.
O Rock Voador acabou reunindo nomes que marcariam o início da explosão do rock brasileiro dos anos 80, como Kid Abelha & Os Abóboras Selvagens, Sangue da Cidade e Blues Boy (Celso Blues Boy). No fim, o projeto cumpriu seu papel de revelar talentos - mas também deixou histórias que mostram como o cenário era improvisado, competitivo e, muitas vezes, cheio de situações quase inacreditáveis.
Confira a entrevista completa abaixo.
Quem foi a banda Sangue da Cidade?
Segundo o perfil da Last.Fm, a Sangue da Cidade foi uma banda de rock formada no Rio de Janeiro em meados dos anos 1970 pelo guitarrista e compositor Di Castro. O grupo ganhou visibilidade no início dos anos 80 ao participar do projeto Rock Voador (1982), da Warner Music, que buscava revelar novos nomes do hard rock e pop rock brasileiro em parceria com o Circo Voador e a Rádio Fluminense FM. A música "Brilhar a Minha Estrela" acabou se tornando o principal cartão de visitas da banda, chegando a tocar em rádios e posteriormente integrando trilhas sonoras, como a do filme Tropa de Elite, já nos anos 2000.
Com uma sonoridade que misturava rock clássico, hard rock e elementos do heavy metal da época, a Sangue da Cidade circulou por palcos importantes do circuito carioca, como Circo Voador, Teatro Ipanema e Canecão, além de participar de programas de TV como Chacrinha e Globo de Ouro. Apesar do relativo destaque na efervescente cena oitentista, o grupo encerrou as atividades em 1986, e seus integrantes seguiram caminhos individuais - deixando, porém, seu nome registrado como parte da geração que ajudou a pavimentar o boom do rock brasileiro nos anos 80.
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