A última grande música que o The Doors escreveu, segundo Ray Manzarek; "É o clássico final"
Por Bruce William
Postado em 09 de fevereiro de 2026
Os seis álbuns do The Doors com Jim Morrison foram lançados em um intervalo curto, entre 1967 e 1971, e mostram uma banda mudando de pele o tempo todo. Dá pra ouvir psicodelia, blues, climas mais soturnos e momentos quase "cinematográficos" convivendo no mesmo repertório, sem parecer que o grupo está só testando coisas aleatórias.
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Quando chegou a hora de gravar "L.A. Woman", o grupo já vinha de um período mais instável de recepção e de rumo. Ainda assim, o álbum acabou ficando marcado como uma espécie de retomada: mais pé no chão, mais ligado ao blues, mas sem abrir mão daquela atmosfera que sempre foi uma assinatura do Doors.
Dentro desse disco, "Riders on the Storm" virou a faixa que muita gente usa como síntese do que a banda sabia fazer quando encaixava tudo: clima, narrativa, groove e aquele ar de ameaça no fundo. E, pra Ray Manzarek, ela tinha um peso especial, como se fosse um "último cartão de visita" com a formação clássica.
O tecladista deixou isso bem claro quando falou sobre a música anos depois, em fala republicada na Far Out: "É o clássico final, cara." Ele contou que a ideia inicial veio de Morrison e Robby Krieger e parecia outra coisa: "Curiosamente, Robby e Jim chegaram e estavam trabalhando em 'Riders on the Storm'. Eles começaram a tocar e soava como um velho caubói cavalgando num dia escuro e úmido. Era tipo 'Ghost Riders in the Sky'."
Manzarek disse que, do jeito que estava, aquilo não era "a cara" do Doors e que precisava ganhar um clima mais urbano e sombrio. A lembrança dele vai nessa linha: "Doors não faz isso. Vamos deixar isso 'hip'. A gente vai pro deserto. 'Tem um assassino na estrada'. Isso tem que ser escuro, estranho e carregado. Deixa eu ver o que eu consigo fazer aqui. Foi como 'Light My Fire'. Simplesmente veio em mim. Eu saquei." E ele ainda descreve o destino do arranjo: "Virou esse lugar escuro, um clube de jazz da Sunset Strip em 1948."
A comparação com "Light My Fire" faz sentido por um detalhe simples: as duas têm espaço pra "respirar", esticam o tempo e trabalham em cima de uma hipnose, mas cada uma com seu mundo próprio. E "Riders on the Storm" ainda ganhou esse peso retrospectivo porque Morrison morreu poucos meses depois do lançamento de "L.A. Woman", em julho de 1971, aos 27 anos - então, na prática, ficou mesmo como uma despedida registrada em estúdio.
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