A atitude dos Titãs que fez Fernando Gabeira se levantar e ir embora de um show
Por Gustavo Maiato
Postado em 21 de março de 2026
Na noite de 10 de abril de 1988, os Titãs viviam um dos pontos altos de sua carreira: o primeiro dos três shows lotados no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro. O grupo paulistano, embalado pelo sucesso de "Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas" e pelos elogios públicos de Caetano Veloso, estava no auge da fama - cercado de jornalistas, artistas e políticos que disputavam espaço nos bastidores e camarins.
Mas o que deveria ser mais uma celebração se transformou em um episódio marcante - e tenso. Ao subirem ao palco, os músicos perceberam que a área VIP, montada especialmente para os convidados famosos, era enorme e deixava os fãs que haviam pago ingresso muito distantes do palco.

O som ruim do ginásio só aumentava o desconforto da banda, que via a empolgação do público "comum" contrastar com a apatia dos vips nas primeiras fileiras. Durante o bis, Branco Mello e Sérgio Britto decidiram se manifestar contra a separação. Pegando o microfone, Britto pediu: "Queria que só as pessoas que estão atrás do cercado cantassem comigo."
A provocação antecedeu uma versão a capela de "Polícia", música símbolo da rebeldia da banda. O gesto foi aplaudido pela multidão, mas ofendeu parte dos convidados da área VIP, entre eles o jornalista e político Fernando Gabeira, que se levantou e foi embora, seguido por outros nomes conhecidos. Os Titãs, concentrados no palco e embalados pela reação das arquibancadas, nem perceberam a debandada dos vips - o Maracanãzinho já estava vindo abaixo.
O episódio, narrado no livro "A Vida Até Parece uma Festa: A História Completa dos Titãs", simboliza bem o espírito do grupo naquele momento: um rock de atitude, sem medo de desagradar os poderosos.
Rock nacional e Fernando Gabeira
Curiosamente, Gabeira voltaria a cruzar caminhos com o rock nacional meses depois - mesmo que indiretamente. O álbum "Bora-Bora", dos Paralamas do Sucesso, lançado em 1988, teve a arte de capa inspirada em um panfleto político do próprio Gabeira, que trazia o slogan "Legalize" em tipografia jamaicana, usada como referência pelo capista Ricardo Leite.
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