Cinco músicas dos Rolling Stones com riffs excelentes que envelheceram muito mal
Por Bruce William
Postado em 22 de abril de 2026
Os Rolling Stones sempre foram tratados como o lado mais sujo da invasão britânica. Enquanto os Beatles apareciam com uma imagem mais comportada no começo dos anos 60, Mick Jagger, Keith Richards, Brian Jones, Bill Wyman e Charlie Watts carregavam um ar mais ameaçador, muito ligado ao blues, ao desejo, ao sarcasmo e a uma certa vontade de provocar. Isso ajudou a criar boa parte da força da banda, mas também deixou algumas marcas difíceis de ignorar décadas depois.
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A Far Out reuniu cinco músicas dos Stones que, segundo a publicação, envelheceram muito mal. O ponto não é negar a importância do grupo ou fingir que essas canções desapareceram da história. O problema é outro: quando se tira o brilho da guitarra, o peso da memória afetiva e a aura de "clássico", algumas letras ficam bem menos confortáveis do que pareciam em outra época.
A mais leve da lista talvez seja "Miss You", de "Some Girls", lançada em 1978. A música veio no período em que os Stones flertavam com a disco music, acompanhando o clima das pistas de dança. Para a Far Out, a faixa não envelheceu tão mal por causa de alguma letra especialmente ofensiva, mas por soar mais vazia do que outros grandes momentos da banda, com Mick Jagger repetindo a ideia de saudade sobre uma base dançante que hoje pode parecer mais datada do que realmente perigosa.
Outro exemplo citado é "Might As Well Get Juiced", de "Bridges to Babylon", lançado em 1997. Aqui, o incômodo está mais na tentativa da banda de absorver uma produção ligada aos anos 90, com elementos eletrônicos e uma aproximação com certa estética dance/alternativa da época. A Far Out trata a faixa como um experimento pouco feliz, em que a produção não favorece aquilo que os Stones sempre fizeram melhor: tocar como uma banda de rock com base no blues, na guitarra e no balanço natural do grupo.
A lista começa a ficar mais pesada quando chega em "Under My Thumb", de "Aftermath", de 1966. A música tem um groove marcante e continua sendo uma das faixas conhecidas da fase clássica dos Stones, mas a letra é bem mais difícil de defender. Jagger canta sobre uma mulher que estaria sob seu controle absoluto e total, feliz por vê-la obediente e disponível conforme sua vontade. Mesmo considerando o contexto dos anos 60, a ideia de posse dentro da relação salta aos ouvidos.
"Brown Sugar", de Sticky Fingers, é um caso ainda mais complicado, justamente porque a música segue sendo uma das mais fortes do repertório da banda em termos de riff, energia e impacto imediato. O problema está no conteúdo da letra, que mistura escravidão, violência sexual e desejo de uma forma que hoje soa profundamente desconfortável. A abertura do disco continua poderosa, mas o que Jagger canta por cima daquela guitarra de Keith Richards pesa de outro jeito quando se presta atenção no enredo.
Não por acaso, a própria banda deixou de tocar "Brown Sugar" ao vivo em anos recentes. Em entrevistas, Mick Jagger e Keith Richards já reconheceram que a música ficou difícil de encaixar no repertório atual, mesmo sem transformarem isso em grande manifesto. É uma daquelas situações em que o riff continua funcionando, mas a letra chegou a um ponto em que o constrangimento passou a fazer parte da própria audição.
A faixa mais problemática da lista é "Stray Cat Blues", de "Beggars Banquet", lançado em 1968. Musicalmente, ela tem aquele clima arrastado e sujo que combina com uma das melhores fases dos Stones. Mas a letra envolve uma garota menor de idade e um narrador que insiste em conduzir a situação para um terreno sexual. O que talvez tenha sido vendido na época como provocação ou decadência rock and roll hoje soa muito mais sombrio.
Esse tipo de revisão não apaga o papel dos Rolling Stones na história do rock. A banda segue sendo uma das mais importantes do gênero, e parte de sua grandeza vem justamente da capacidade de soar perigosa, carnal e pouco domesticada. Mas perigo e desconforto não são sempre a mesma coisa. Algumas músicas envelhecem porque a produção ficou datada; outras envelhecem porque a letra revela ideias que hoje não passam mais batidas. E, no caso dos Stones, a contradição fica exposta de forma muito clara. A mesma banda que criou riffs, grooves e canções que atravessaram gerações também deixou no catálogo faixas que carregam possessividade, misoginia, imagens raciais problemáticas e narradores difíceis de defender. O rock não precisa ser tratado como peça de museu intocável para continuar importante. Às vezes, basta ouvir de novo, com atenção, e aceitar que nem todo clássico saiu ileso da própria época.
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