O guitarrista vetado na banda de Suzi Quatro que três anos depois vendeu 10 milhões de discos
Por Bruce William
Postado em 18 de abril de 2026
Suzi Quatro contou à Classic Rock uma história boa daquelas em que o passado parece dar risada depois. Em 1973, durante a gravação da música "Rolling Stone" para seu álbum de estreia, seu produtor, Mickie Most, avisou que um guitarrista estava chegando ao estúdio e que ele havia sido mais ou menos "reservado" para sua futura banda. O sujeito era Peter Frampton. Segundo Suzi, ele era um cara doce, discreto, bom guitarrista e ainda estava se encontrando como artista solo depois da saída do Humble Pie. Quando a sessão terminou, Mickie mudou de ideia na hora: "Não, Peter não pode estar na sua banda. Vai haver uma estrela só, e essa será você."

O curioso é que, naquele momento, Frampton ainda não era o monstro de popularidade que se tornaria poucos anos depois. Em 1973, ele vinha de uma saída importante do Humble Pie, banda em que já era um nome conhecido, mas sua carreira solo ainda estava em fase de construção. O disco de estreia, "Wind of Change", havia sido lançado em 1972 com participações de gente como Ringo Starr e Billy Preston, mas teve impacto comercial modesto nos Estados Unidos. Depois veio "Frampton's Camel", lançado justamente em 1973, ainda sem grande estouro, embora já mostrasse que ele estava tentando firmar um som e um caminho próprios. Três anos mais tarde, porém, esse guitarrista que ainda podia ser visto como coadjuvante em ascensão explodiria com "Frampton Comes Alive!", álbum que venderia mais de 10 milhões de cópias no mundo e o transformaria num dos maiores fenômenos comerciais do rock dos anos 1970.
Ou seja: quando Suzi o encontrou, Peter Frampton ainda era visto mais como um guitarrista talentoso vindo de uma banda grande do que como estrela absoluta. Isso torna o comentário de Mickie Most ainda mais interessante. O produtor parece ter farejado cedo que havia ali um nome com potencial para ocupar muito espaço por conta própria. E, olhando em retrospecto, é difícil dizer que ele errou. Em meados de 1975, Frampton ainda era descrito como um artista solo de sucesso moderado. Menos de um ano depois, com "Frampton Comes Alive!", já tinha virado um fenômeno gigantesco.

A explosão foi tão grande que hoje ela quase encobre o período anterior. Mas o Frampton de 1973 ainda era um músico tentando consolidar a própria identidade fora do guarda-chuva do Humble Pie. Isso não quer dizer que fosse um ninguém. Pelo contrário: ele já tinha nome, pedigree, respeito de mercado e trânsito entre músicos grandes. Tanto que, algum tempo depois, seu nome chegaria a circular até como possibilidade para os Rolling Stones quando a banda procurava substituto para Mick Taylor. Não foi além disso, mas o simples fato de entrar nesse tipo de conversa mostra o tamanho da estima que já existia em torno dele.
A fala de Suzi, então, acaba funcionando quase como um retrato perfeito de um artista no instante anterior à explosão. Ela conheceu Peter Frampton quando ele ainda podia ser imaginado como "guitarrista para a banda de alguém". Mickie Most olhou a cena e decidiu que aquilo não faria sentido. Se Peter ficasse ali, talvez dividisse o foco demais. E, pelo rumo que as coisas tomaram depois, a intuição não foi pequena. Poucos anos mais tarde, Frampton já não era mais candidato a banda de ninguém. Era Peter Frampton, ponto.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Sonata Arctica cancela show no Uruguai em cima da hora
Após sair do I Am Morbid, Pete Sandoval anuncia que David Vincent deixa o Terrorizer
Tony Iommi é condecorado membro da Ordem do Império Britânico
Fernanda Lira explica por que Crypta escolheu Victoria Villarreal e não Helena Nagagata
A lenda nordestina que é o Van Halen brasileiro, segundo Rafael Bittencourt
Baterista do Raven é chamado às pressas para substituir Charlie Benante em show do Anthrax
Os bastidores da saída de Fabio Lione do Angra, segundo Marcelo Barbosa
De Megadeth a Bruce Springsteen, as 10 músicas mais sombrias da história do rock
Rudy Sarzo acredita que morte de Randy Rhoads não foi acidente: "Piloto sabia que ia fazer"
O maior álbum feito em Los Angeles de acordo com Robert Plant e The Doors
A banda idolatrada por Eddie Vedder que nunca tocou no Brasil: "Ele era fanático"
Organizadores do The Town falam sobre vinda de Marilyn Manson em 2027
Por que Tony Iommi acha que grandes músicos não conseguiam tocar Black Sabbath direito
Pete Sandoval anuncia que não faz mais parte do I Am Morbid

Suzi Quatro comenta o álbum de Bob Dylan que a deixou "viciada para a vida toda"


