O músico que tocou com Ozzy e o Sabbath sem precisar de drogas nem álcool para ser doidão
Por Bruce William
Postado em 13 de abril de 2026
Tommy Clufetos passou anos tocando com Ozzy Osbourne e ainda assumiu a bateria do Black Sabbath nas turnês em que Bill Ward ficou de fora. Ou seja: esteve no meio de dois dos universos mais associados a excesso, caos e destruição dentro do rock pesado. Mesmo assim, diz que nunca entrou nesse roteiro. Em entrevista recente à WGN News, o baterista afirmou que nunca usou drogas, não bebe e que toda a energia que despeja no palco vem de outro lugar.
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A frase dele quebra a expectativa logo de cara, e chama atenção justamente por vir de um sujeito cuja imagem de palco sempre foi de intensidade total, daqueles que parecem tocar como se a bateria tivesse lhe feito algum mal pessoal. "Eu sei que pareço um maluco, mas sou um dos caras mais certinhos que você vai conhecer na vida. Nunca usei drogas, não bebo e simplesmente toco rock and roll como um cara que usou, de forma selvagem e maluca."
Clufetos explicou que, desde garoto, nunca se interessou por esse tipo de coisa. O que o atraía era outra ideia de descontrole. "Quando eu era moleque, não me interessava por essas coisas. Sempre achei que a selvageria vinha das entranhas. E, no meu caso, ela vem mesmo." É uma fala que desmonta um clichê antigo do rock: o de que, para soar perigosamente vivo, o músico precisa necessariamente viver chapado ou bêbado. No caso dele, a faísca vinha do instinto, da entrega e da maneira de tocar, não de química.

A entrevista também tocou num ponto interessante para qualquer músico que entra em banda já consagrada: até que ponto ele precisa copiar o estilo do antecessor. Clufetos deixou claro que não vê sentido em tocar como o cara que saiu. "Espero que não, porque ele já foi embora", respondeu, com a secura de quem não está ali para fazer teatro de museu. Ao mesmo tempo, disse que tenta sempre levar a música de volta à forma original que o público ama, colocando sua própria energia dentro disso.
A maneira como ele descreve esse equilíbrio ajuda a entender por que conseguiu se encaixar em ambientes tão carregados de história. Em vez de reinventar tudo, ele prefere reacender a chama original com a própria pegada. "Eu trago minha própria energia para isso. E espero que minha paixão e meu fogo pela música reacendam aquela chama original que alguns desses artistas tiveram."
Antes de chegar ao círculo de Ozzy, Clufetos já tinha passado por nomes como Ted Nugent, Alice Cooper e Rob Zombie. Depois, entrou para a banda solo de Ozzy em 2010 e acabou virando também o baterista do Black Sabbath em suas duas últimas turnês mundiais. Não é pouca coisa. E talvez fique ainda mais curioso pensar que um cara com essa biografia toda, cercado de símbolos clássicos do excesso no rock, goste de se definir justamente pelo oposto.
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