Estadão diz que rock voltou a fazer sucesso, mas vê problema: "Bibelô nostálgico"
Por Gustavo Maiato
Postado em 30 de julho de 2026
Depois de anos perdendo espaço no mainstream para gêneros como rap e música eletrônica, o rock voltou a aparecer com mais força nas paradas, festivais e até no trabalho de grandes nomes do pop. O retorno, porém, não significaria necessariamente o surgimento de uma nova geração capaz de provocar uma renovação comparável a movimentos como punk e grunge.

Essa é a análise apresentada pela jornalista Carol Prado em vídeo do Estadão. Segundo ela, o rock passou pelo menos uma década como música de nicho antes de recuperar espaço. A jornalista cita artistas do pop que passaram a flertar com guitarras e elementos do rock alternativo, além da redescoberta de músicas antigas por adolescentes através de vídeos curtos nas redes sociais.
No Brasil, Prado destaca o salto de popularidade do gênero em 2023, quando, segundo ela, o rock saiu da 16ª posição para se tornar o terceiro estilo mais ouvido no Spotify. Turnês de nomes como Skank e Titãs teriam contribuído para esse movimento. Em 2026, bandas de outras gerações continuam aparecendo nas paradas e ocupando posições importantes em festivais.
O problema, segundo a jornalista, está justamente em quem protagoniza essa retomada. "Essa boa fase do rock é puxada por nomes que tiveram seu auge lá no passado. Pelo menos no mainstream, o tipo de música que faz mais sucesso. O rock virou uma espécie de bibelô nostálgico, uma referência usada para dar uma cara de autenticidade às coisas do presente, como se fosse um filtro descolado no Instagram", afirmou.
Prado reconhece a existência de artistas mais recentes tentando construir uma identidade para o rock da década de 2020 e cita Wet Leg e Turnstile entre os exemplos. Ainda assim, considera o cenário atual fragmentado. Novos nomes aparecem com propostas diferentes, mas, em sua avaliação, ainda não existe uma vertente forte o suficiente para alterar os rumos do gênero como aconteceu em outros períodos.
"Não existe uma nova vertente forte nascendo para mudar as coisas, como foi o punk lá nos anos 70, o grunge nos anos 90, o indie nos anos 2000", explicou. Para Prado, movimentos desse tipo foram fundamentais porque renovaram o rock e criaram novas cenas, em vez de depender exclusivamente do repertório e da estética das gerações anteriores.
A jornalista acredita que uma transformação semelhante dependeria do fortalecimento de uma cena underground fora das plataformas digitais. "Para esse tipo de coisa acontecer, uma cena nova do underground, desconhecida do grande público, precisa se fortalecer no mundo físico, em encontros, festas, festivais. Mas enquanto a gente continuar descobrindo música só pelo algoritmo das redes sociais, vai mesmo acabar ficando preso no passado", concluiu.
Confira o vídeo completo abaixo.
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