"Linda!"; a canção especial do Led Zeppelin destacada por Robert Plant
Por Bruce William
Postado em 26 de junho de 2026
O Led Zeppelin tem músicas que parecem gravadas no sistema nervoso do rock. Basta alguém mencionar "Immigrant Song" para aquele grito inicial aparecer na cabeça. "Whole Lotta Love" chama o riff antes mesmo da memória pedir licença. "Stairway to Heaven" virou tão gigantesca que quase deixou de ser apenas uma canção e passou a funcionar como monumento, piada, trauma de loja de instrumentos e ritual clássico ao mesmo tempo.
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Mas uma banda como o Led Zeppelin nunca viveu só de hinos óbvios. O grupo era, acima de tudo, uma banda de álbuns, capaz de espalhar ideias muito diferentes dentro do mesmo disco. Peso, blues, folk, misticismo, improviso e delírios elétricos conviviam sem pedir autorização a uma fórmula. Por isso, algumas das faixas mais reveladoras da banda não são necessariamente as mais gritadas pela multidão.
Uma delas é "The Battle of Evermore", lançada em 1971 no quarto álbum do Led Zeppelin. Segundo a Far Out, Robert Plant sempre tratou a canção como uma peça especial dentro do repertório da banda. Em conversa no podcast "Digging Deep", o vocalista destacou: "Havia uma variedade incrível de influências estilísticas na maneira como todos tocavam. 'The Battle of Evermore', apenas como peça instrumental, era linda!"
A música ocupa um lugar muito próprio dentro do "Led Zeppelin IV". No mesmo álbum estavam "Black Dog", "Rock and Roll" e "Stairway to Heaven", faixas que ajudaram a consolidar a banda como uma força quase impossível de medir. No meio desses blocos enormes, "The Battle of Evermore" parecia vir de outro lugar: mais antiga, mais pastoral, mais próxima de uma lenda cantada à beira do fogo do que de um ataque de hard rock.
Parte dessa atmosfera veio do período em que o grupo trabalhou em Headley Grange, casa de campo em Hampshire que também marcou outras gravações importantes do Led Zeppelin. Page já explicou que a banda precisava de um lugar onde pudesse tomar chá, caminhar pelo jardim e entrar para gravar quando fosse necessário. Esse ambiente mais solto acabou entrando no som, especialmente nas faixas em que o lado folk do grupo aparecia com mais força.
"The Battle of Evermore" também ganhou uma presença decisiva com Sandy Denny, do Fairport Convention, dividindo os vocais com Plant. A participação dela deu à música uma dimensão quase teatral, como se duas vozes narrassem uma história antiga. As referências a fantasia, batalhas e imagens ligadas a um universo próximo de Tolkien ajudaram a reforçar essa sensação de mitologia sem manual explicativo.
Plant via a canção justamente por esse lado mais difícil de medir. Ele disse que havia nela uma essência de chamado, algo capaz de reunir pessoas e convocar um estado de espírito. Não era o Led Zeppelin tentando fazer um single direto, nem uma faixa construída para o impacto imediato de um riff. Era uma porta aberta para o lado mais místico da banda.
Essa talvez seja a razão de "The Battle of Evermore" não ocupar o mesmo espaço popular de "Stairway to Heaven", embora esteja no mesmo disco e carregue uma beleza muito particular. Ela não tenta vencer pelo tamanho. Vence pela atmosfera. O bandolim, as vozes, o clima de balada antiga e a sensação de que a música pertence a um tempo fora do tempo fazem dela uma peça menos óbvia, mas essencial para entender o alcance do Led Zeppelin.
Robert Plant passou anos tentando se afastar do peso esmagador de algumas músicas do Led Zeppelin, especialmente "Stairway to Heaven". Com "The Battle of Evermore", o caminho foi diferente. Ele a preservou como uma daquelas peças em que a banda tocou algo mais nebuloso, menos radiofônico e talvez mais íntimo. Não é a canção mais lembrada do álbum por muita gente. Mas, para Plant, era linda. E às vezes essa é uma forma mais duradoura de elogio do que chamar uma música de clássica.
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