Ihsahn afirma que foi contra todas as probabilidades que o black metal virou carreira
Por Emanuel Seagal
Postado em 05 de agosto de 2026
Ihsahn relembrou, em entrevista ao The Creative Independent, que começou tocando uma das músicas mais inacessíveis que existem e que foi contra todas as probabilidades que o black metal extremo virou sua profissão.

O músico norueguês formou o Emperor no início dos anos 90, ao lado de Samoth, com quem já tocava desde os 13 anos. A banda lançou quatro álbuns de estúdio e virou referência do black metal da Noruega, mesmo com um som e uma estética que, à época, funcionavam como barreira para o público.
"Contra todas as probabilidades"
Ao comentar a ideia de que não se deve fazer música esperando reconhecimento ou dinheiro, ele se apresentou como exemplo do inverso. "Eu mesmo sou um exemplo bizarro disso. Comecei tocando uma das músicas mais inacessíveis que existem. No começo dos anos 90, tocar black metal extremo com corpsepaint e tudo mais afastava as pessoas. Foi contra todas as probabilidades que isso virou minha carreira", contou.
"Conheço tantos músicos talentosos que atuam só na Noruega, dentro dos parâmetros do normal, e que podem ser artistas de R&B incríveis, mas não têm a menor chance nem contra o artista de R&B mediano dos Estados Unidos, porque a cultura é outra. Então eu tenho certeza de que a sua melhor chance é fazer algo que não seja necessariamente comparável a outra pessoa, mas tão inerentemente produto da sua própria lente distorcida que vire uma coisa única, e não uma coisa em relação a outra", explicou.
Black metal 24 horas por dia
Ihsahn afirmou que nunca tratou música como hobby nem como trabalho, e descreveu a rotina do grupo nos primeiros anos como uma imersão integral. "Mesmo nos primeiros dias, antes e durante a época em que formamos o Emperor, não era como se a gente fizesse outras coisas e também fosse à sala de ensaio fazer música. A gente vivia naquela sala de ensaio fazendo essa música, e depois ia para a casa de alguém escutar aquele estilo de música", relatou.
"E à noite a gente saía com tochas e vivia aquela atmosfera. Era black metal 24 horas por dia. É um estilo de vida, não algo que você faz nas horas vagas. Eu não faço mais o lance das tochas, mas sou muito, muito consumido pela música, e acho muito difícil não fazer parte disso", acrescentou.
Autodidata aos 48
Sem formação musical formal, ele apontou a orquestração como a parte mais difícil do álbum solo autointitulado, lançado em 16 de fevereiro de 2024 pela Candlelight Records em duas versões, uma metal e uma orquestral. Segundo o músico, escrever algo orquestral ou algo de metal não é complicado, mas fazer as duas coisas ao mesmo tempo se mostrou um desafio.
O norueguês declarou ainda que a insegurança aumentou com o tempo. "Faz as coisas demorarem mais, com certeza. Principalmente no começo, eu não sabia o que eu não sabia. Eu tinha 16 anos. A memória muscular não estava lá, então era tudo pura intuição. Mas o que faltava de experiência a gente compensava em dedicação com o Emperor", concluiu.
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